E os humilhados serão exaltados…

Domingo em Le Mans foi um dia diferente no MotoGP: não só Petrucci e Alex Marquez deixaram as sombras da figuração no grid, como Sam Lowes venceu pela primeira vez em 4 anos e Jordi Torres, um piloto que tinha uma única vitória na Moto 2, uma solitária vitória no WorldSBK, e conquistado no sábado sua primeira vitória na Moto E, tornou-se o 2º campeão mundial nessa categoria.

A chuva que começou a menos de 3 minutos da largada da categoria principal embaralhou todo o grid do MotoGP. Petrucci sorriu. Ele já tinha uma certa predileção por Le Mans, uma pista em que as baixas temperaturas favorecem os seus 80 Kg, que geram o aquecimento necessário no pneu traseiro. A média de peso dos pilotos é de 65 Kg e esses 15 Kg, que o atrapalham em temperaturas normais, se tornam seu grande triunfo. Segundo suas próprias palavras, ele não podia perder essa oportunidade, dado que o Marc Marquez não estava lá para tirar o doce de sua boca.

Bem que o caçula tentou. Calçado com pneus médios, que resistiam melhor ao secamento da pista, Alex podia ter chegado junto, se não tivesse perdido tanto tempo para ultrapassar Pol Espargaró e Dovizioso. No final foi prudente e não arriscou uma queda que jogaria por terra todo o esforço das 26 voltas.

Há uma explicação para o sucesso das V4, que ocuparam os 8 primeiros lugares, pois são motos que freiam dentro da curva, contornam sem grande velocidade para serem levantadas e despejar potência tão logo quanto possível. E é assim que se anda rápido na chuva. As quatro em linha não conseguem usar sua maior velocidade de contorno e acabaram emboladas do 9º ao 11º. Quartararo conseguiu fazer um ponto a mais do que Viñales e 2 a mais do que Mir. Saiu no lucro. Perdeu apenas 6 para o Dovi, que usou pneus macios e perdeu rendimento no final.

A escolha de pneus foi estratégica: pneus macios rendiam mais no início, com mais água na pista, pois se aqueceram mais facilmente. Os médios sofreram no início, mas sobravam no fim. Comparando Dovi com Zarco, que usou médios, nas voltas 4, 5 e 6, Dovi era bem mais rápido (46.8 x 48.3, 46.7 x 47.3, 46.1 x 47.0), mas nas 3 últimas voltas a vantagem era dos médios (45.2 x 43.3, 45.6 x 44.0, 45.4 x 43.4). Mais uma volta e Zarco chegaria em 4º.

Com tudo isso tivemos o 7º vencedor em 9 provas e 15 pilotos diferentes ocupando os 27 lugares no pódio. E talvez isso explique a sucessão de campeonatos do MM93. Ele tem, sim, suas pistas favoritas, mas não anda mal nas que não gosta. Ele também anda bem no calor, no frio, no seco e no molhado. Essa inconstância dos demais pilotos é que está dando vida ao campeonato: há 125 pontos em jogo e há 9 pilotos a 50 pontos ou menos do líder. Qualquer um que começar a ganhar provas consecutivas pode ser campeão. Os dois próximos fins-de-semana devem favorecer a potência dos V4 e o Dovi precisa assumir o protagonismo que diz merecer. Ele não pode ser a 2ª Ducati nas provas, senão vai ficar difícil.

Falando em protagonismo… o Bagnaia chegou a 33 segundos do Petrucci: chupa essa manga diretoria da Ducati!!!

Segue uma nota triste sobre o 3º abandono seguido do Rossi. Precisa se benzer… que zica!

A prova da Moto 2 foi bem disputada. O pole position Joe Roberts teve um problema na moto no grid, saiu atrasado para a volta de aquecimento, e o diretor deu a largada quando ele ainda concluía a curva 14. Ele tinha 28 motos a frente dele e chegou EM SEXTO! Seis caíram à frente dele. Ainda assim, foi uma corridaça. Chegou p da vida aos boxes, pois tinha tudo para vencer. O bom Sam Lowes quase repetiu mais um 2º lugar, mas seu compatriota Jake Dixon caiu quando liderava. Coisas de corrida… como o Luca Marini correu machucado e não marcou pontos, o inglês pulou para 4º no campeonato a 22 pontos do líder. Marini, Bastianini, Bezzecchi e Lowes: o título deve ficar entre esses 4, já que o Jorge Martin caiu mais uma vez. Bastianini voltou a correr mal e fico pensando se a assinatura precoce de um contrato para o MotoGP não afeta, para pior, o desempenho no campeonato corrente.

Na Moto 3, Arenas chegou em 3ºe reassumiu a liderança, McPhee, que o derrubou em Barcelona, foi derrubado pelo Alcoba a 5 voltas do final. O campeonato deve ficar entre Arenas, Ogura, Vietti, que venceu pela 2ª vez no domingo, e Arbolino, que vem chegando em 2º em várias provas, mas ainda não venceu.

Por fim, o “campeonato” da Moto E. Vamos falar sério: 7 corridas de 6 (ou CINCO!) voltas não são campeonato de p… nenhuma. O Granado começou, mais uma vez, como favorito. Ganhou a 1ª corrida, foi derrubado pelo Ferrari na 2ª, se auto-eliminou da 3ª ao pisar no verde na superpole, largando em último, caiu na 4ª já comprometendo a posição de largada na 5ª, sujou os pneus ao sair da pista na outlap da superpole na 6ª (largou em 9º e chegou em 6º, em 5 voltas) e caiu na primeira curva da 7ª. Minha única felicidade nesse campeonato foi ver o Ferrari cair enquanto liderava a 6ª corrida. Entregou a vitória e praticamente o título ao Jordi Torres, o Elvis espanhol, um piloto que tem 3 vitórias em 200 corridas oficiais. Isso resume o “campeonato”.

Um comentário em “E os humilhados serão exaltados…”

  1. Pois é, esqueci de comentar o peso do Petrux. O peso, a GP20 + o talento de Petrux na água… Pilotos que andaram com motos “ruins”, tipo SBK, SSP…. equipes mais fracas, estão mais acostumados com condições piores, é a verdade. Os pilotos que sempre correram em berço de ouro, com motos de GP e de fábrica, tem um talento e uma capacidade para andar mais rápido do que todos, mas não tem recursos quando as coisas não estão perfeitas.

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