Meu Deus! No DESMO!!!!!!

Confesso que não esperava por essa! Claudinho traidor e teremos o novo V4 Granturismo da Ducati com um comando de válvulas “normal”, com as molas assumindo o controle. Confesso que é um tanto brochante…

Incrivelmente o nível de ignorância mecânica, mesmo entre ducatistas, é enorme. As pessoas confundem 2 cilindros com dois tempos, não sabem onde está nem o que faz um comando de válvulas, acham que o som da Ducati vem do desmodrômico, confundindo com a embreagem seca e todas as misturas possíveis dentro destas variáveis.

Mas é isso, depois de muitos anos a Ducati vem aí com uma moto que não é desmodrômica, uma marca quase registrada. Bem que avisaram que nada é sagrado na Audi Motorrad.

Perdemos o belt drive, perdemos o quadro de treliça, perdemos o L2 e agora perdemos o desmo. Não falta perder mais nada. Ah! Estamos perdendo o mundial de WSBK desde 2011.

O que é o Desmo? Vamos lá, o Engenheiro Fabio Taglioni escolheu e aperfeiçoou o comando de válvulas de cabeçote, admissão e escape, para um sistema engrenado que prescinde de molas. E porque isso é bom? Porque nos altos giros de motor as molas vão encontrando dificuldades para manter o desempenho. Primeiro exigem uma metalurgia marciana para fazer uma mola que reaja em tempo hábil sem quebrar ou derreter, que não “flutue”, prejudicando o funcionamento preciso do motor.

Todos falam nisso mas esquecem que molas fortes o suficiente para retornar uma válvula a 16,17 mil giros, são duras como um pau, e o motor gasta grande parte de sua potência apenas para amassar, para vencer a força exercida pelas molas.

Tanto é assim que no MotoGP todas as motos, menos a Ducati, usam comandos pneumáticos, as molas “voltam” com ar comprimido, somente o desmo segura o tranco. Por isso também as Ducatis são fortes de motor. No comando desmodrômico dois bracinhos mecânicos mexem as válvulas, prá cima e para baixo, de forma precisa e sem pesar no eixo.

E porque outras fábricas não usam em suas motos? Porque é caro, porque tem seus segredos, porque em uso normal o sistema de molas atende bem e principalmente porque ele exige uma manutenção especializada e mais frequente. Aí que o bicho pegou.

Ao levar o intervalo de ajuste de válvulas para 60 mil quilômetros, o desmo que não é sagrado para eles, caiu. 60 mil kms é muito. Basta dizer que a minha Aprilia 1998 fez 53 mil em 20 anos.

Sim, estou ficando velho. Vivi para ver uma Ducati não desmo. Um amigo do meu ForzaRio perguntou: “E eles tem experiência em comandos normais? Tem anos que não sai uma Ducati assim!”. Eles podem não ter, mas a Audi, a VW, a Porsche, tem.

O novo motor, com aproximadamente 1.2. litros, é mais leve, mais curto, mais baixo do que o V2 atual. E apenas um tiquinho mais largo. Produz 170 CV’s, certamente em um estado de tuning muito mais tranquilo do que o L2 1260 atual. De gerenciamento eletrônico de última geração, promete desligar os cilindros de trás quando der, para gerar menos calor e produzir mais conforto aos passageiros, algo que me dizem ser problemático nos carros que tentam fazer isso. Meu amigo e piloto Nelson Ricciardi me diz que um acessório comum para os carros que desligam cilindros é um aparelho que cancela esta parada, de tanto problema que dá. Aguardemos.

É o progresso. Certamente a quarta geração de Multistrada será incrível e muito melhor do que a atual. Um motor mais moderno, mais leve, mais potente, que vibra menos, que anda mais e que exige menos manutenção. É a vida.

O desmo é um diferencial bacana, em um mundo de coisas iguais, era legal ter uma característica que ninguém tem. Tomara que a moda não se espalhe pelas outras motos da linha.

Vejam aqui tudo sobre o lançamento do motor:

Abraços e que Deus nos Proteja de outras modernices. Oremos.

Mário Barreto

Um comentário em “Meu Deus! No DESMO!!!!!!”

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