A Procissão Italiana

Quem assistiu à largada e as primeiras três curvas da primeira volta da corrida, saiu para tomar café na padaria e voltou faltando duas voltas para terminar a prova teve a mesma emoção de quem assistiu Mugello do início ao fim. Foi uma corrida monótona.

Primeiramente, palmas para Bagnaia: terceiro ano seguido no alto do pódio, foi o grande vencedor do fim de semana, fazendo 37 pontos, contra 22 do Marquez, 20 do Bastianini e 16 do Martin. Quando ele larga na frente é um metrônomo e Martin foi muito conservador na curva 2 dando ao bicampeão a possibilidade de controlar a prova.

Palmas também para a Ducati com 3 GP24 no pódio. Se alguém tinha dúvidas da vantagem da GP24 sobre a GP23 basta rever a diferença de aceleração entre as duas na saída da Bucine para entrar na reta. Marquez estava tentando tudo para conseguir pegar o vácuo do Enea, a ponto de passar por um “bump” da zebra que fazia o dispositivo que abaixa a suspensão tocar em seu pneu traseiro.

Quem definiu bem a corrida foi La Bestia, que confessou estar meio sonolento até que o Marquez o passou na freada da San Donato. Ao ver que ia ficar fora do pódio fez valer seus pneus em melhor estado, retomou o 3° lugar e, em uma última volta perfeita, tomou o 2° do Martin na última curva. Um “erro de rookie” segundo o próprio Martinator.

Marquez chegou em 4°, quebrando uma sequencia de pódios, mas ele foi mal? Vamos ver os números: em 2023 o pódio também teve três Ducatis GP23. Bagnaia venceu a corrida em 41’16.883. Martin foi o 2°, em 41’17.930. Zarco foi o 3° ainda mais atrás. Este ano a GP24 fez as mesmas voltas em 40’51.385 e a primeira GP23 chegou em 40’53.449, mais de 23 segundos mais rápida que no ano anterior, ou seja, mais de 1s por volta. A GP24 foi mais de 25 segundos mais rápida que a GP23 de 2023, mas o 4° lugar chegou apenas 2s atrás dela. É nisso que o Gigi está de olho.

Vi muitos jornalistas criticando o Marquez porque afirmou que não iria para a Pramac. Ora, o Martin está lá há quase 4 anos e disse que não ficaria e não vi ninguém indignado. Agora ele foi confirmado na Aprilia, no lugar do Aleix. E a minha primeira aposta da coluna passada parece que vai se confirmar: a Honda ofereceu €2 milhões ao catalão para que seja seu piloto de testes. E o último boato é que a Honda quer levar o Viñales para substituir o Mir!!!

De resto neste fim de semana foi o fugaz ressurgimento da Yamaha, com Rins fazendo o 2° melhor tempo do Practice que qualifica para o Q2. É fato que treinaram em Mugello antes da corrida da Catalunha, mas a marca de Iwata deu esperança aos seus torcedores na sexta-feira. Infelizmente eles sairam da Toscana com apenas 1 ponto do 15° lugar do Rins do domingo.

A promoção do Acosta para a KTM ao lado do Binder foi oficializada neste fim de semana. O novato está carregando a marca nas costas, e fez um 3° e um 5°, embora não tenha disputado a ponta em nenhum momento. O sulafricano parece ter perdido o mojo, chegando a mais de 8s do espanhol, em 10°. Uma boa largada no sábado permitiu que chegasse em 6°, segurando uma fila de pilotos atrás dele.

A Aprilia tinha esperança de sair de Mugello com alguma medalha ou troféu, já que Viñales se classificou na primeira fila. Conseguiu um 5° e um 9° no sábado e um 8° e 11° no domingo. É pouco.

Eu torço muito para que a KTM e a Aprilia dêem aquele último passo para fazerem frente às Ducatis e que as japonesas se recuperem. Isso é importante para o espetáculo, porque o que prende o espectador é a disputa entre marcas, com vários vencedores diferentes.

Bem, a grande novela chegou ao fim com uma virada surpresa no final. Agora é entender como se dará a dança das cadeiras e quem se tornará a equipe satélite da Yamaha. Teremos três semanas nas quais quem vai trabalhar de verdade serão os empresários e os advogados.

Depois teremos A Catedral, uma das minhas corridas favoritas.

Até lá!

P.S.: Diogo Moreira conseguiu um bom 11° na Moto2. Para um estreante é preciso dizer que está indo melhor que o Masia e o Sasaki, campeão e vice da Moto3 ano passado.

P.S.2: Joe Roberts ganhou em Mugello e a possibilidade de vê-lo na Trackhouse em 2025 aumenta a cada corrida. Sou de um tempo em que os campeões eram americanos ou australianos e o sobrenome Roberts fez história na classe rainha.

Para a Fauna do Motociclismo.