De volta a 1983!

Meus amigos, que nostalgia boa! Neste sábado 30/10 dei um nostálgico rolé de moto com o meu amigo Bernardo.

Bernardo é um colecionador de motos com um diferencial, frente aos outros que eu conheço, suas motos estão (quase) todas prontas para andar. Isso é muito legal. Talvez dê mais trabalho, já que para isso todas as motos tem que estar emplacadas, com documentação em dia. Além disso, as velhas senhoras possuem uma peça que os mais novos só ouviram falar, um tal de carburador, que prende bóia, que suja a cuba e que dá trabalho!

RDZ 125 novíssima!

Para este sabadão eu empurrei o Bê para um rolé com a sua Yamaha DT 180 Six Speed e a RDZ 125. Que beleza, eu tive estas duas motos na sua época, ícones e por isso colecionáveis.

A minha RDZ era azul, comprei na antiga RTT com o grande amigo e saudoso gente boa Baiano. Foi quando eu larguei as motos velhas. Antes da RDZ eu tinha uma RD 350 B vinho, com rodas Scorro (pesadésimas) douradas combinando com o dourado do tanque. Uma lindeza, um sonho de consumo, já que minha RD anterior tinha sido uma R5F boa, mas feia. Mas esta desgraçada tinha um defeito que ninguém conseguia resolver, volta e meia ela me deixava na mão porque parava de gerar energia. Mandei re-enrolar ali o gerador várias vezes, mas volta e meia parava de novo e a moto virou inconfiável, me fazendo pagar mico de ficar na rua com as gatinhas, em uma época que não existiam Übers. Um saco, fiquei putasso da última vez, torrei a moto e comprei a RDZ de segunda geração, tanque todo azul que lembrava o azul Galouises da TZ 250 do Christian Sarron, que tinha acabado de ser campeão do mundo de 250cc. Saí da revenda me sentindo um Sarron.

E saibam que saí feliz, sem sentir falta da potência inconstante e sempre mal regulada, mal equalizada da RD 350. A RDZ 125 zerada era uma delícia de moto. Tanque grande, painel bonito, reguladinha, GERANDO energia corretamente, farol forte, silenciosa, confortável, bem acabada, comandos de guidon novos. Saí por aí deslizando e zunindo com seu motorzinho que eu fazia empurrar até uns 140 km/h no painel. Apitava tanto que o único problema que tive depois de um tempo foi uma furada de pistão. Tava muito fininha, tava andando demais. Tenho saudade dela. Uma cor rara, nunca se vê entre os colecionadores.

Estrada da Paz

Dela o bichinho do off road me pegou, andando em motos de amigos me apaixonei pelo MX e troquei ela por uma Yamaha DT 180 igualzinha a do Bernardo. Em menos de 1 mês troquei tudo na moto com um kit Búfalo de suspensões, tanque, banco. Em menos de 5 meses transformei ela em uma MX e comecei minha carreira de piloto de MX, que durou até os meus 24 anos.

Bernardo todo pimpão com sua DT maravilhosa.

Incrivelmente não tenho nenhuma foto das minhas Yamaha RDZ e DT 180, em uma época pré-máquinas digitais, as fotos eram muito mais raras.

A DT é uma aquisição relativamente nova do Bernardo e estava  em condições de uso, pegou na primeira pedalada. A RDZ estava estocada e empoeirada, preferi empurrar na garagem para fazê-la pegar. Para quem lembra, o kick dela é pequeno, prende na pedaleira, sempre foi meio esquisito. Mas o motor é levinho, mete segunda, dá a bundada no banco e sai empurrando até pegar. Não pegou antes porque o afogador não está prendendo no lugar, um defeito clássico destes Mikunis, mas em menos de uma volta completa na garagem o motorzinho virou!!!! Ah! Que barulhinho, que cheirinho bom.

As duas motinhos em uma parada para fotos.

Calibramos os pneus e saímos em direção a Floresta da Tijuca. Fui de RDZ e o Bê de DT. A RDZ está zerada de aparência. Nada tortinha, tudo em seus lugares, perfeita de freios e suspensões.  O motor não está tão zerado, está “batendo um pouco de saia” e a moto com um buraquinho entre 5 e 6 mil giros, totalmente gerenciável. Subimos a Estrada das Canoas sem abusar, mas rapidinho. Afinal ninguém quer, nesta idade, levar um estabaco bobo e se quebrar (hoje em dia caiu quebrou) e arranhar as preciosidades. Quando garoto com a minha RDZ azul eu subia e descia Canoas de mão no fundo, com a minha RDZ usando amortecedores de RD 350 de cabeça para baixo, uma combinação que funcionava que era uma maravilha nela.

Um chopinho na Pracinha do Alto, para recuperar as energias. Eu, Bernardo e Vinícius

Ao final da Estrada da Paz, trocamos de moto, peguei a DT. Meu Deus!!! A DT está perfeita!!!! O motor forte, torcudo, sempre pronto, que delícia, que moto merdeira, que vontade de saltar e sair fazendo merdas. Barulhinho estaladinho, a moto leve, fina, ótimamente suspensa, lembrou exatamente porque a DT 180 é ícone e fez tanto sucesso. Sensacional. Voltei disputando arrancada com R3 em sinal de trânsito, doido para empinar e super feliz. Mas ao parar, kkkk bóia presa e correr para fechar a gasolina. Nada que umas batidinhas no carburador não resolvessem.

Obrigado Bernardo. O próximo já está marcado. Vamos de RS 125 verde e RX 180.

Bom domingo.

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Um comentário em “De volta a 1983!”

  1. Tive as duas, compradas na Distac, em Laranjeiras.
    A sua descrição foi perfeita: a RDZ era azeitadinha para uma 135cc. Eu também era 20Kg mais leve hehehe

    A DT era um tesão: a moto perfeita para andar nas ruas esburacadas do Rio. Leve, esperta, subia fácil de giro. A minha, 87 0Km, tinha freio a tambor na frente, que não era ruim, mas desaparecia quando esquentava

    Saudades dos 2T!

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