Allons enfants de la Patrie, le jour de gloire est arrivé!

Bonito ver o garoto Quartararo tentando conter as lágrimas ao ouvir A Marselhesa no alto do pódio pela segunda vez em 8 dias. Adieu, Viñales, mas de MotoGP eu falarei mais pra frente: vamos pela ordem.

Acordei cedo (porque estou vivendo praticamente no fuso brasileiro durante a pandemia) para torcer pelo Granado. Duas pequenas traseiradas na superpole o empurraram para o 4º lugar no grid e a curva 1 de Jerez é sempre chatinha. Ele acabou perdendo um par de posições, mas começou uma recuperação com um estilo limpo e agressivo. Estava em 2º e tinha acabado de fazer a volta mais rápida da corrida quando foi atropelado grosseiramente pelo campeão do ano passado, que vinha em 4º. Eu entendo que existam acidentes de corrida, mas alguns são tão grosseiros que mereceriam uma punição séria para os culpados. Como resultado o Granado caiu para terceiro em um campeonato que ele parece sobrar em relação ao resto da turma. É broca, meu…

Eu gosto do pandemônio que são as provas de Moto3, então peguei um café para torcer pelos meus preferidos, que são Arbolino, Fenati, Suzuki e McPhee. Suzuki fez todas as 3 poles do ano e corre pela equipe que mais gosto, do Paolo Simoncelli. O fato é que o Suzuki chegou em 5º e 8º nas duas corridas, mesmo largando na pole, e o Paolo deu-lhe um esporro que foi ouvido lá em Misano. Segundo os comentaristas do MotoGP, os boxes vizinhos tremeram e Suzuki e Antonelli saíram com o rabinho entre as pernas. A bronca funcionou: Suzuki passou a maior parte da prova em 1º, levando as inevitáveis ultrapassagens possibilitadas pelo vácuo, mas dando troco imediato. Ganhou a prova, com o bom McPhee em 2º, um resultado bem melhor do que o da corrida passada quando foi derrubado na última curva, perdendo um 3º lugar quase certo. Meus italianos favoritos estão devendo, mas o campeonato embolou, com o impressionante tombo do Arenas, que tinha vencido as duas primeiras corridas. “Carreras son carreras” e tudo pode mudar na proxima curva…

Os pilotos para quem torço na Moto2 ainda vão estourar muito champanhe no MotoGP no futuro: Jorge Martin e Enea Bastianini, cujo apelido é “La Bestia”. Ambos sofreram muito no ano passado: Martin, que era rookie, teve que lidar com o pior chassis já feito pela KTM, e o Bastianini, quando se acertou com a Kalex Triumph e vinha correndo bem, foi atropelado groseiramente pelo Luca Marini na Austria e passou o resto do ano machucado. Este ano estão andando bem e La Bestia foi impecável hoje, controlando com tranquilidade os dois italianos da SKY VR46. Com o medíocre 11º lugar do Nagashima (perdeu 3 posições na última curva) o campeonato embolou, com o japa na frente (50 pts), seguido por Bastianini, 48, e Marini, 45. Destaque para o Aron Canet, que é rookie mas vem andando bem de Speed Up e está em 4º no campeonato.

E veio a largada do MotoGP valendo só meio ingresso (na minha opinião) porque o Márquez faz falta. Hoje torci muito pelo Rossi, e lamentei a pequena escorregada de traseira que permitiu a passagem do Viñales. Tenho que confessar que eu torcia pelo Viñales desde que ele corria pela equipe da Paris Hilton no Moto3. Vibrei com o título conquistado em cima do Rins na última curva em 2013, as belas corridas de Moto2 e sua vitória de Suzuki em Silverstone. Quando ele teve aquele começo avassalador na Yamaha, ganhando 3 das primeiras 5 corridas, eu pensei que um novo fora-de-série tinha chegado à categoria principal, mas o Rossi se incomodou, o engoliu dentro dos boxes sem que ele reagisse e a estrela se apagou. Babaquices do tipo “tenho que mudar o número para fazer algo novo” e o tom artificial das entrevistas, sempre excessivamente entusiasmado no sábado, e pateticamente desolado no domingo, sempre empurrando a culpa em algo ou alguém, me deixaram com uma tremenda má vontade com o garoto, que acho a cara do Cantinflas da Volta ao Mundo em 80 Dias. Hoje ele tomou uma aula de frenagem do Rossi que foi vergonhosa. Houve um momento em que ele saiu forte da curva 5, emparelhou com o Rossi por dentro na reta oposta e os comentaristas do MotoGP deram como certa a ultrapassagem. Não rolou… Rossi freou uns 15 metros depois dele e continuou na frente. Mesmo chegando em 2º, a humilhação maior foi perder a segunda seguida para o Quartararo. Aí ele faz todo um mise-en-scène, se mostrando sem ar, mancando no pódio.

Se, em algum momento, ele pensou que seria o futuro da Yamaha… pode esquecer. Momentos tristes da corrida: as falhas mecânicas de Bagnaia e Morbidelli. O pódio de hoje provavelmente não teria tido nenhuma Yamaha oficial. O Bagnaia foi muito cobrado pela falta de resultados no ano passado, mas começou a se entender com a MotoGP. Hoje ele foi atrapalhado pelo Miller, pois estava mais rápido e acho que era o único que poderia ter dado trabalho ao francês. Fazer o quê… foi o preço da má largada. Falando em largada, que vacilo do Binder, que se assustou com o Petrucci e derrubou o Miguel, que tinha muita esperança nessa prova. Merecia um esporro do Pit Beirer: duas semanas seguidas estragando a propria corrida logo no comecinho.

O calor de Jerez resultou em um derby de destruição. A ponto do Crutchlow ter entrado nos boxes com dores, mas acabou voltando para ficar circulando e juntar 3 pontinhos do último e 13º lugar. A coragem e persistencia do Rins foram premiadas com 6 pontinhos do 10º. Alguns comparativos entre as duas corridas. Quem mais perdeu foi o Dovi, que chegou a 5s9 na 1ª e a 12s6 na 2ª . Depois o Pol, que caiu de 6s9 na 1ª para 17s5. Ganharam Nakagami, justificando a teoria do Mario Barreto, que chegou a 21”5 na 1ª e a 6”1 na 2ª; Alex Márquez ganhou 8” em uma semana, Zarco só 2”.

Agora, Brno, um circuito que deve ser menos favorável para a Yamaha, que foi presenteada com essa tetéia que foi Jerez. Afinal, começar na frente dá uma grande moral no campeonato e é muito melhor poder administrar a vantagem do que ter a obrigação de correr atrás.

Até a próxima!
André Bertrand

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