Mário Harleyro

Acho que a maioria dos meus amigos motociclistas não sabem que além de amar as motos italianas, eu sou também um Harleyro quase raiz! Não tenho nenhuma tatuagem e nunca usei colete de couro com franjas esvoaçantes, mas tive Harley Davidson por anos e curti demais fazer parte dos HOGs Brasileiro e Americano. Minha Harley não era muito prestigiada, por puro preconceito babaca, que não sei se existe também nos Estados Unidos. Corri na loja e comprei uma das primeiras XL883S que chegaram no Rio de Janeiro. Ela usava o motor Evolution, mas era ainda carburada.

Veio tunada para ser uma moto solo, nem o banco de garupa e pedaleiras traseiras vinham montadas, tínhamos que montar depois. E, com garupa, os amortecedores traseiros não aguentavam o tranco. Comecei então a trocar peças na moto, porque as Harley da época eram horríveis de acabamento. Logo de cara troquei os amortecedores traseiros por um par de Progressive Suspension, troquei também as molas da suspensão dianteira. As manoplas, troquei por Kuryakyn, o suporte de placa original horroroso foi também trocado. Ficou durinha e dava trabalho nos mais braçudos na subida da Serra de Petrópolis. Tinha muito motor, afinal, era quase 900cc. O motor era o mesmo da 1200, bastava trocar o cilindro, nem precisava trocar o comando.

Mas resolvi transformar ela em uma mini touring, comprei um par de malas originais no eBay Norte América o e mandei entregar na casa do Márcio Campos, que ainda morava por lá. É um acessório raro, porque custava zero bala na loja 1.500 dólares e a moto toda uns 7.000, era muito caro. Mas comprei usadas, verdes, e fui dar um passeio em Pacific Palisades, fiz umas alças provisórias com fita e entrei no Brasil com elas funcionando como malas normais, inclusive com cuecas sujas lá dentro. Depois botei também um parabrisa original e uma churrasqueira também original e pronto, ficou muito interessante e bem feita.

Joana também sempre foi harleyra

Eu e a Karina adorávamos esta moto. Tínhamos outras em casa, mas para passear com as mulheres, nada supera uma HD. Porque é tudo calmo, não tem correria, as HD não querem fazer curvas ou darem arrancadões, elas só querem passear.

A moto tem lá suas características, mas o mais divertido ainda é ter tudo HD em casa. Minha filha Joana nasceu nesta época e até fraldas HD tinha lá em casa. Os casacos HD são sensacionais, e eu tinha um monte, porque são bons e lindos. Dois estão comigo até hoje.

Na semana passada fui até Ipiabas com o Bernardo Britto e pela milésima vez contei pra ele que eu sou membro fundador do Museu da Harley em Milwalkee. Quando o Harley-Davidson Museum estava para inaugurar em 2008, a Harley-Davidson lançou um programa oficial de associação (membership). A lógica foi bem direta — e muito inteligente do ponto de vista de comunidade: Passava a ser eternamente identificado como “Founding Member”. Qualquer pessoa no mundo podia se tornar membro antes da abertura. Quem aderisse até 2008 (especialmente antes de junho, pré-inauguração), tem este título histórico que não pode mais ser adquirido. Além de meu nome estar escrito lá em uma parede, tenho 2 ingressos com acompanhante por ano até a minha morte.

Por duas vezes também eu aluguei Harley para viajar nos EUA. Em uma delas eu viagem pela Rota 66, Vegas e foi muito legal. Na foto eu estava no Hotel Sand’s, um clássico de Vegas onde Frank Sinatra foi um dos sócios. Foi demolido e era onde hoje está o The Venetian.

De outra vez, aluguei uma Harley no Havaí, em Maui, onde subi até o Haleakala com ela. Um frio de 4 graus no topo do vulcão e eu de moto e bermudinha. Sou macho!

É isso aí. Só não tenho Harley até hoje por falta de dinheiro, Harley são valiosas, As novas estão lindas, e muito valiosas. Adoro qualquer moto. Prefiro as italianas, mas as americanas tem também um espaço grande no meu coração.

Publicitário, Designer, Historiador, Jornalista e Pioneiro na Computação Gráfica. Começou em publicidade na Artplan Publicidade, no estúdio, com apenas 15 anos. Aos 18 foi para a Propeg, já como Chefe de Estúdio e depois, ainda no estúdio, para a Agência da Casa, atual CGCOM, House da TV Globo. Aos 20 anos passou a Direção de Arte do Merchandising da TV Globo onde ficou por 3 anos. Mudando de atuação mais uma vez, do Merchandising passou a Computação Gráfica, como Animador da Globo Computação Gráfica, depois Globograph. Fundou então a Intervalo Produções, que cresceu até tornar-se uma das maiores produtoras de Computação Gráfica do país. Foi criador, sócio e Diretor de Tecnologia da D+,depois D+W, agência de publicidade que marcou uma época no mercado carioca e também sócio de um dos primeiros provedores de internet da cidade, a Easynet. Durante sua carreira recebeu vários prêmios nacionais, regionais e também foi finalista no prestigiado London Festival. Todos com filmes de animação e efeitos especiais. Como convidado, proferiu palestras em diversas universidades cariocas e também no 21º Festival da ABP, em 1999. Em 2000 fundou a Imagina Produções (www.imagina.com.br), onde é Diretor de Animações, Filmes e Efeitos até hoje. Foi Campeão Carioca de Judô aos 15 anos, Piloto de Motocross e Superbike, mantém até hoje a paixão pelo motociclismo, seja ele off-road, motovelocidade e "até" Harley-Davidson, onde é membro fundador do Museu HD em Milwaukee. É Presidente do ForzaRio Desmo Owners Club (www.forzario.com.br) e criou o site Motozoo®, www.motozoo.com.br, onde escreve sobre motociclismo. É Mestre em Artes e Design pela PUC-Rio. Como historiador, escreve em https://olhandoacidade.imagina.com.br. Maiores informações em: https://bio.site/mariobarreto

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