E como historiador, sinto-me na obrigação de registrar as peripécias do motociclismo carioca. Já fiz aqui no Motozoo alguns registros e tenho um projeto, chamado de Figuras Carimbadas do Motociclismo Carioca. Neste projeto, eu listei estas figuras e fiquei de entrevistar todos. Fiz meia dúzia, estão por aqui no Motozoo, mas não tive energia e apoio para ir em frente. Uma pena.
Ao ler o meu post sobre Williams James Cabelinho, que é uma figura carimbadíssima, outra figura carimbada da cidade, o ex-piloto Victor Braga Cabeção, mandou-me divertida (para mim) mensagem, contando sobre algumas de suas aventuras com o Cabelinho. Achei importante registrar aqui. Cabeção já foi citado inúmeras vezes aqui no Motozoo e é o nosso enViado especial a Daytona Bike Week.
Disse Cabeção:
William James da Silva, o clássico chiclete com banana. Nome de gringo e sobrenome tupiniquim. Já vivemos várias aventuras juntos, várias corridas desde e até o pré-mundial em 1986 em Brasília e as primeiras corridas do campeonato mundial em Goiânia, que fomos no Corcel I dele. Com direito a comparecer na festa do Wayne Gardner 1987 e Eddie Lawson em 1988. Mas a mais foda foi, acho eu, em 1988, quando num sábado à noite, quando eu estava em casa vendo TV, recém casado, e recebo uma ligação dele me perguntando se eu queria correr as 500 milhas, no domingo. Ele tinha ido pra São Paulo (ele e a moto numa carreta, uma RD350) pra tentar correr as 500 milhas. Para variar só na vontade, sem dinheiro. Me ligou dizendo que já tinha arrumado tudo, inscrição gasolina, etc, só precisava de um par de pneus. (e eu tinha um guardado) . Resultado, pedi pra ilustre esposa, me deixar na rodoviária, e parti pra São Paulo com equipamento e pneus pra correr a 500 milhas, sem treino, sem nada. E de dobra. A moto do cabelo era um lixo de motor, (motor cansado). Fizemos num pneu só. Andei a maior parte do tempo. Era um tanque pra ele e dois pra mim. O terceiro piloto (o cara que o James conheceu no autódromo e ficou responsável pelas despesas) só andou 1 vez. Fizemos pódio no quinto lugar geral.
Perguntado sobre as datas exatas desta epopéia, o Cabeção foi impreciso:
Acho que 1988. A Copa Yamaha começou em 1987. Foi até 90 ou 91, não lembro. Eu usava a minha moto só para corridas da Copa, pra não cansar o motor, o Cabelinho ia em todas, acho que andava até na rua. 1992 já comecou a Copa CBR450R. Eram corridas de dupla. Corri uma com o Cabelinho também. Ele arrumou uma moto emprestada ou era de um cliente, não lembro. Ficou me enchendo o saco, dizendo que seu caísse, eu ia ter que pagar o conserto. O dono não sabia que ele ia usar a moto em corrida. Acabou que ele caiu. Kkkkk
São ou são boas histórias para registrar. Mas tem mais:
Essa foi 1985. Fizemos quinto também. Montamos a moto na semana. Cabelinho comprou um motor de 450cc no Jornal Balcão e fomos para São Paulo eu ele e o professor Tinho. Levamos o motor de 450cc para fazer na CETEMO, do Gualtiero Tognocci. Cabelinho conhecia ele dos tempos de Kiko Motos. A moto do Cabelinho era preparada lá e ficava lá. Um italiano gente boa, fiquei muito amigo dele depois. Fiz vários motores com ele no tempo da transformação para álcool. Fazia as motos do Adu Celso, e as Hondas 125cc especiais de fábrica. Parou a oficina para atender a gente. Fizemos o classificatório com o motor 400cc e colocamos o 450 só na corrida. O motor ficou uma bala. Praticamente só eu e Tinho (Hertz Antunes) andamos, Cabelinho apesar de ser o dono da moto era muito mais lento. A corrida começou a meia-noite debaixo de um temporal e choveu as 12 horas. Fizemos num pneu só, sorte que choveu, não tínhamos estrutura para trocar roda. Caí faltando uma hora e meia mais ou menos. Levantei e continuei sem freio dianteiro e a roda dianteira empenada. Vibrava tanto no final da reta que parecia que ia desmontar. Acabamos em quinto na geral.
Sobre esta última foto que eu garimpei e restaurei, Cabeção disse:
Essa outra moto era da equipe Bike Show com patrocínio da Mesbla Motos e o Mago Contrapino na preparação. Levaram pau nosso, correndo do bolso.
Então foi isso. Se é tudo verdade verdadeira, se levaram pau ou não, isso tudo teria que ser apurado com muito rigor! Williams James, Hertz Antunes, Contrapino, Renatinho, todos teriam que dar suas versões. Mas fica aí mais um registro para a história do motociclismo carioca e brasileiro.



