No teste desta segunda-feira Jorge Martin levou o seu 6° tombo desde sexta-feira e teve que ser levado ao hospital para exames mais detalhados. Embora tenha sido um acidente bem feio, aparentemente não foram encontradas fraturas, mas ele continua em observação.
Não é de hoje, nem deste fim de semana. Já estive em Montmeló e é um lugar muito agradável no qual F1 e MotoGP testam muitos dias por ano. A questão é que não tem como se expandir e as áreas de escape são pequenas demais em alguns pontos.
No TL1 de sexta Martin escapou na curva 12 e quase teve o mesmo destino do falecido Luis Salom, tendo seguido sua Aprilia até o air fence. Deu sorte. Ogura e o próprio Martin caíram na curva 2, e também quase se encontraram com as próprias máquinas. Hoje o tombo do Martin foi na 7, que tem uma area de escape muito limitada.
E a curva 1? A linha de largada fica longe demais criando um funil na freada onde as motos que vêm atrás acabam sugadas pelo vácuo. Bastianini causou um salseiro em 2023, Zarco causou o mesmo tipo de acidente na 2a largada deste domingo, Nakagami fez o mesmo em 2022, e por aí vai… é uma tragedia anunciada.
O quê aconteceu entre Alex e Acosta no domingo não precisaria ter tido consequências tão graves. Alex foi para a grama e estava controlando a moto, mas uma faixa de concreto que nao deveria estar ali causou a decolagem do Marquez caçula que nasceu de novo. Poderia ter ficado paraplégico ou tetraplégico e a falta de notícias foi aterrorizante.
Se eu já tinha dúvidas se havia clima para a relargada, depois do 2° acidente eu acho que não deveria ter tido a terceira. Também não entendo porque foi dada pontuação integral para uma corrida que teve a duração de uma Sprint.
Diggia manteve a concentração, mesmo com a mão esquerda ferida, e venceu o corrida curta. Hoje nem particpou dos treinos. Já escrevi aqui antes: há vitórias e vitórias. Todas premiam com troféu e dão 25 pontos, mas havia muita gente boa de fora, e Raul Fernandes e Jorge Martin criaram mais uma novela na prova final.
Raul jura que tem a telemetria ao seu lado para provar que o Martin jogou sua moto para dentro quando viu que seria ultrapassado. De alguma forma os comissários chegaram à mesma conclusão já que o piloto da Trackhouse não foi punido. Discussões à parte, duas Aprilias que poderiam ter chegado ao pódio ficaram de fora. Diggia e a Ducati agradecem.
Desse incidente resultaram dois entreveros nos boxes: Massimo Rivola passou uma descompostura no pobre do Davide Brivio (que já está de saída e devia estar rindo por dentro) e o descompensado do Martin chegou no proprio boxe dando chilique e um empurrão inexplicável no Paolo Bonora. Desculpou-se mais tarde, mas esse tipo de reação é que separa um ótimo piloto de um fora de série. Raul, por outro lado, se complicou terrivelmente. Não importa de quem é a culpa: um piloto de equipe satélite não pode se envolver nesse tipo de situação com um piloto da equipe oficial que está disputando a liderança do campeonato. Ele está sem contrato para 2027 e as chances dele conseguir assinar sua renovação diminuiram drasticamente.
A corrida de sábado foi disputada até o fim e teve a margem mais apertada entre as corridas sprint. Acosta, KTM e Montmeló se deram muito bem e eu apostava no Tubarão para uma primeira vitória no domingo, embora Alex sempre esteja em casa em Barcelona. Em 2014 eu o vi vencer o Bastianini por mais de 3 segundos na Moto3: uma vantagem pouco comum. Domingo seria entre os dois e Alex me parecia mais à vontade do que no sábado. Levou uns “chega pra lá” nas primeiras voltas, mas estava firme no 2° lugar quando a moto do Acosta falhou na retomada depois da curva 9. Foi um acidente que tirou a graça da corrida.
Acosta acabou castigado por uma ultrapassagem atabalhoada do Ogura na última curva da corrida. O Tubarão zerou e o japonês foi punido com 3 segundos, que o jogou de 4° para 8°.
Mir fez uma ótima “última perna” e chegou em um otimo 2° lugar que se transformou em 13° após pagar 16 segundos por causa da pressao do pneu dianteiro. Nem quero falar nesse assunto… uma babaquice.
Moreira chegou em um bom 9°, beneficiado pelas quedas, ausências e punição do Mir, mas à frente de Morbidelli, Viñales, Rins, Miller e Toprak.
Bagnaia e Bezzecchi foram muito discretos durante todo o final de semana, mas também foram premiados pelas circunstâncias, com Bagnaia levando o primeiro troféu de domingo para a LeNovo em 2026. Bez escapou de perder a liderança graças à falta de paciência do seu companheiro de equipe. Saiu de Barcelona no lucro. Aldeguer foi outro que ganhou um troféu de 2° lugar inesperado pelo quê tinha mostrado sexta e sábado. Foi um premio de consolação pra Gresini.
Infelizmente a corrida de Mugello deverá estar bem esvaziada. Alex e Zarco certamente não estarão. Martin e Marc são dúvida.
Quartararo continua tirando leite de pedra na Yamaha e foi segundo colocado nos testes de hoje, onde Bastianini e Viñales deram um sopro de esperança para a Tech3, que acaba de renovar com a KTM.
Quanto às corridas de Moto3 e Moto2, Quiles venceu a 4a no ano, somando 140 pontos em 150 possíveis, e Manuel González conseguiu ultrapassar Vietti nas últimas 2 voltas, voltando a subir ao topo do pódio. O provável futuro piloto da Pramac, Izan Guevara completou o pódio.
Agora serão 13 dias de olho nos boletins médicos antes de Mugello, uma das 3 melhores pistas do calendário, na minha opinião.
Até lá!




