Há 267 dias Marc Marquez venceu em Misano. Foi sua 99a vitória na carreira, desde sua primeira conquista, em Mugello, nas 125cc. Pois 16 anos e 1 dia depois ele venceu pela 100a vez, entrando em um clube muito seleto onde se encontram Agostini e Rossi. Se 2024 e 2025 foram os anos do retorno desde o triste acidente de Jerez em 2020, este fim de semana marcará o fim de um jejum de 245 dias desde o GP da Indonesia. Um período de duas operações no ombro, muita fisioterapia e nenhum pódio. Coincidentemente também foi a centésima vitória da equipe oficial Ducati, que consolidou sua 2a posição no campeonato de equipes. Depois de 5 corridas sem conseguir nenhum troféu, a Ducati Lenovo conseguiu três terceiros lugares consecutivos com Bagnaia e a primeira vitória do ano.
Logo após Mugello eu disse ao meu amigo Jorge Artilheiro que o teste para definir se o Formiga teria alguma oportunidade de defender o título seria em Brno. Balaton Park não é apelidado de Balaton Marc por acaso… dois anos, duas poles, duas vitórias na sprint, duas vitórias na corrida de domingo, duas melhores voltas. Voltar a correr em Mugello foi uma forma de honrar os 100 anos da Ducati, mas também foi uma preparação para a corrida na Hungria.
Agora é aguardar o GP da República Tcheca: um circuito parecido, mas não tão exigente quanto Mugello, que o campeão gosta muito. Assen, logo em seguida, também está entre os circuitos que ele gosta, mas Bez anda muito bem por lá e Bagnaia o tem tatuado no corpo: o GP da Holanda será muito disputado. Pra fechar a primeira metade do campeonato teremos o GP da Alemanha, que é mais uma casa do Marc. Bez tem 72 pontos de vantagem atualmente. Se essa vantagem cair pra 50 antes das férias teremos disputa.
Balaton deve ter visto sua ultima corrida de MotoGP. O numero de torcedores é o menor da Europa, a pista é chata, estreita e perigosa. Fala-se em levar o GP para Hungaroring, que é mais perto de Budapest, mas há tantos países querendo entrar no calendário que prevejo a substituição do GP da Hungria.
O STRIKE DO MARTIN
Repetindo a lambança que fez no GP do Japão em 2025, Martin derrubou o colega de equipe na largada, além da Aprilia do Raul e a Gresini do Aldeguer. Não seria o caso do Davide Brivio ir tomar satisfações com o Rivola, para revidar a situação de Barcelona? (risos) Manda quem pode e obedece quem tem juízo… Massimo Rivola atribuiu 100% da culpa ao Martin, que terá que pagar duas voltas longas em Brno. O agravante é que Martin está de saída da equipe, está disputando o título, nunca foi amigo do Bezzecchi, e não tem nada a perder. Enquanto estiver na disputa não vai aliviar pro italiano e é claro que não tinha intenção de se tirar da corrida.
Aquele trecho da curva 1 foi recapeado há pouco tempo e os pilotos reclamaram de pouca aderência por todo o fim de semana. Basta lembrar que Marquez e Diggia foram ao chão naquele ponto no começo do Q2. O número de acidentes na primeira curva depois da largada pode abreviar a vida dos dispositivos que abaixam as suspensões e transformam as motos em drag bikes. Há discussões para bani-los depois do GP de Silverstone. Outras alternativas que estão sendo analisadas são passar a largar apenas dois pilotos em cada fila, ou (mais provável) espaçar mais as filas, dobrando a distância entre elas. Não importa qual solução seja escolhida, se classificar bem no Q2 se tornará ainda mais importante.
Quanto às corridas, a sprint se resolveu na curva 4 da primeira volta, quando Marc abriu 6 décimos do Acosta. Bez largou bem se colocando em terceiro e Aldeguer mostrou o quanto ainda está “verde”, cometendo erros ao tentar ultrapassar o líder do campeonato e acabando em 5°, atrás do Raul e à frente do Martin. Uma ótima largada do Diogo Moreira fez com que ele terminasse em 7°. Bagnaia salvou o último ponto, em 9°, atrás do Bastianini.
Na corrida de domingo, Acosta apostou no pneu traseiro macio, que seria mais rápido nas primeiras 5 voltas. Acreditou no blefe do Marc, que passou o fim de semana repetindo que não teria condições físicas para vencer no domingo. Na conferência pós-corrida, uma jornalista encurralou o Formiga dizendo que ele mentia muito. Bagnaia riu e disse que nunca jogaria pôquer contra o Marc. Enfim, Acosta fez o que pôde e MM deixou ele brincar na liderança até chegar e passar. Um parêntese: todos os pilotos que disputam com o campeão jogam duro (como deve ser). Em Mugello, Ogura o empurrou pro limite da pista o que abriu espaço para o Diggia passar também. No Brasil o Martin fez o mesmo, abrindo espaço para o mesmo Diggia. Acosta tocou a Ducati duas vezes na mesma volta, apenas retardando o que era inevitável. Marc Marquez nunca reclama. Eu também acho normal: o pessoal das décadas de 80 e 90 fazia pior. Só que tem muito piloto chorão no grid, e muitos anti que arrancam as cuecas pela cabeça se o Formiga não deixa 33cm de espaço entre a moto dele e a ultrapassada. É infantil.
Do segundo para trás vimos um passeio de domingo do Bagnaia, que correu ouvindo a FM Budapest tocando clássicos de Vivaldi, uma bela corrida de recuperação do Ogura, que sempre aquece o final das corridas, um excelente 5° do Marini, fruto da boa largada, e o melhor resultado do Diogo, fazendo um 6°.
Quando o Diogo assinou com a Honda. foi divulgado que ele faria um ano na LCR e dois no HRC. Depois, no leilão para contratar “o novo Acosta”, o espanhol colombiano fake, David Alonso, falou-se que esse iria fazer par com o Quartararo em 2027. Só que ele não está indo tão bem na Moto2, portanto voltaram a falar na provável promoção do brasileiro. É claro que o Lucio Cecchinello preferiria mantê-lo na LCR, mas os japoneses não são bobos.
De acordo com as ultimas notícias Raul, Binder e Rins estão desempregados. Miller parecia seguir o mesmo destino, mas uma corrida valente como a que ele fez no domingo pode lhe dar alguma sobrevida. Obviamente esse Top8 só foi possível pela destruição de 4 motos e por jogar o Diggia lá pra trás, mas ele se defendeu muito bem e tirou leite de pedra de uma Yamaha que o Quartararo qualifica como “inguiável”.
Muito boa a participação do Iker Lecuona, fazendo um 7° pela Gresini. A Ducati o escolheu em detrimento do Bulega, que venceu 22 corridas seguidas no WSBK, porque o italiano está ajudando a desenvolver a GP27 com os pneus Pirelli e o pessoal de Bologna não queria que ele corresse com os Michelin de forma a perder o feeling da borracha italiana.
Dois pilotos que estão andando muito pior do que o esperado são Morbidelli e Viñales. Arrastaram-se em 19° e 20° no sábado e fizeram 14° e 15°, com 6 desistências de motos à sua frente. Basicamente só andaram melhor do que o Crutchlow, que corajosamente está andando com uma moto repleta de tecnologias que não eram usadas quando ele se aposentou.
Toprak fez o seu melhor resultado, 11°, e empatou em pontos com o Lecuona, que só correu na Hungria. E o Mir? Zerou de novo, pela quinta vez. Com um 12°, um 13° e um 15° em corridas até agora, se assinou de fato com a Gresini ganhou na loteria.
No mais temos o Manuel Gonzalez dominando a Moto2, venceu a 3a corrida consecutiva, e o Massimo Quiles dominando a Moto3, com 5 vitórias e 2 segundos lugares até agora. Um acidente muito feio envolveu 3 pilotos na última volta da corrida: é sempre perigoso quando um piloto é atropelado por quem vem atrás…
Um fim de semana de folga e teremos a hora da verdade. Estou contando os minutos.
Até lá.
p.s.: não gostar de alguém é perfeitamente aceitável. Não reconhecer o mérito de quem se tem antipatia é bastante imaturo. Eu detesto o Flamengo, mas isso não me impediu de ir ao Maracanã na final do Brasileirão de 83 para torcer por Zico, Leandro e Adilio, porque era um timaço. A antipatia continua, por outros motivos, mas é preciso reconhecer a arte, quando a vemos.




