Veni, vidi, vici

Sem maiores surpresas, Marc Marquez fez sua terceira dobradinha do ano, todas em circuitos anti-horários, que não forçam muito o ombro direito. Ele não conseguiu nenhuma volta perfeita no Q2, e cedeu a pole para o Bezzecchi, fazendo a alegria dos comentaristas, que sonharam com uma possível vitória do italiano. Ficou para Misano, onde ele será favorito. Motorland não é chamado de Marcland à toa e a festa da torcida é sempre muito bonita.

Marc revelou, na coletiva pre-evento, que cometeu um erro grave em Silverstone, ao acreditar que as férias teriam sido suficientes para melhorar sua condição física. Fez muito esforço na 6a e no sabado pela manhã, para acabar a sprint bastante cansado e ter partido no domingo já sentindo muitas dores. A partir de Aragón ele já assumiu uma nova rotina de fazer menos esforço na 6a, apenas o suficiente para ficar no Top10. Pegar leve no treino antes da classificação para tentar fazer o Q2, a sprint e a corrida com a maior energia possível. Misano, embora seja o circuito horário de maior sucesso para o Formiga (8 vitórias, 5 na MotoGP), será um desafio complicado com suas 6 curvas seguidas para a direita (da 9 a 15), incluindo o Curvone, uma das curvas mais rapidas da temporada. Se ele conseguir 19 pontos ou mais nas duas corridas terá tido sucesso.

A sprint de sábado foi bastante monótona a partir da primeira curva da primeira volta. As Ducatis largaram de pneus médios na traseira, diferente das Aprilias que largaram de macios. Os irmãos Marquez passaram Bez nas primeiras duas curvas e assim seguiram por 11 voltas. Martin quase caiu na última curva, abrindo caminho para Acosta que se firmou na 4a posição. O tubarão tinha um ótimo ritmo nas últimas voltas, mas a corrida acabou antes que pudesse alcançar a Aprilia. Do 6° para trás a corrida foi até animada, com várias ultrapassagens. Aldeguer, retornando após o tombaço que levou em Assen, liderou um grupo do 6° ao 10°, com Moreira em um ótimo 7°, à frente de Raul, Zarco e Miller, a melhor Yamaha do fim de semana. Bagnaia venceu a batalha com o Alex Rins pelo 11°. Diggia caiu.

A corrida teve um pouco mais de emoção, quando MM, depois de repetir o bote na curva 1, esqueceu de desativar o dispositivo que abaixa a suspensão traseira, fazendo as curvas 2 e 3 arrastando a traseira e arrancando fagulhas do asfalto. As duas Aprilias pularam na frente e criou-se a expectativa de uma dobradinha da fábrica de Noale. Alex Marquez ficou encaixotado pelo irmão e caiu para 6°. Marc se livrou do Martin ainda na primeira volta e manteve um diferença de 7 décimos para o italiano enquanto aquecia os pneus. Na 6a volta repetiu a ultrapassagem sobre a Aprilia na curva 15 e tivemos um dos melhores momentos do ano, com as duas motos italianas descendo o retão de Aragon a centímetros de distância, lidando com a turbulência causada pela proximidade. Na freada deu Ducati e Acosta aproveitou a carona e passou para 2°. Passou e grudou na moto do futuro companheiro de equipe, andando a 2 ou 3 décimos de distância até a 13a volta, quando o Formiga abriu o gás e fez 3 voltas na casa de 1’46”. Bezzecchi se conformou com o 3° lugar, repetindo o resultado de Silverstone, enquanto Alex Marquez ultrapassou Jorge Martin, tomando 2 pontos do líder do campeonato, que não conseguiu se acertar com a frente da Aprilia em nenhum momento do fim de semana. Dois quintos lugares foi o que ele conseguiu salvar, beneficiado pelo problema técnico na moto do Raul, o tombo do Bagnaia (quando estava em 7°) e a ausência do Ogura, que fraturou o dedão da mão direita em um treino privado. O atual líder não ficou abalado e está bastante otimista para Misano.

Aldeguer e Diggia correram isolados em 6° e 7°, respectivamente, tendo sido uma boa rodada para a Gresini e uma má para a VR46 (36 pontos a 9).

La Bestia venceu uma batalha feroz contra Moreira, levando o 8° por 150 milésimos. Após a prova Enea elogiou o brasileiro: “muito difícil de ultrapassar”. Na sexta-feira Crutchlow foi convidado pela equipe do MotoGP para acompanhar o Practice, que define os 10 que irão direto para o Q2. Zarco, voltando em boa forma, roubou o 10° lugar do Diogo por 10 centésimos, mas o veterano britânico fez muitos elogios ao brasileiro, afirmando que em 2029/2030 ele provavelmente estará brigando pelo título. As quatro Hondas chegaram nos pontos: Mir em 12°, Marini em 14° e Zarco em 15°. O francês poderia ter sido 10° se não tivesse que pagar duas voltas longas pelo acidente na 2a largada em Barcelona. Os pilotos do HRC continuam perdendo para os da LCR, mas incrivelmente já estão empregados em 2027/28.

Miller, 11° e melhor Yamaha todo o final de semana, já foi comunicado que está fora dos planos. Será substituido pelo Guevara, que foi campeão na Moto3 e está em 2° no campeonato da Moto2. Há quem seja contra essas promoções, mas eu acredito que o campeonato de 2027 é o ideal para renovar o grupo de pilotos, com as motos novas e os pneus Pirelli. Serão 4 rookies da Moto2 e 1 do WSBK. Pilotos que já estão há anos no grid só fazem sentido se estiverem competitivos. Morbidelli, Binder, Rins, Viñales e o próprio Miller podem conseguir bons assentos no WSBK e dar um reboot em suas carreiras.

Quartararo só pensa na Honda e demonstra visivel má vontade até para dar entrevistas. Repete constantemente que nada muda, não há evolução, enquanto a Yamaha traz novos chassis e balanças. Miller disse que a moto está freando bem e contornando as curvas com velocidade: só falta potência.

Na Moto3 Max Quiles retornou depois da fratura de clavícula com a 7a vitoria no ano, a 10a na categoria. Venceu o Almansa, 2° no campeonato, e seu companheiro na CFMoto, o argentino Marco Morelli, completou o pódio.

Na Moto2, Alonso Lopez “ressurgiu das cinzas” (não vencia desde março 2024) e botou a Gresini no topo, seguido de Guevara, David Alonso, Agius, Ortolá, Gonzalez e Holgado. A carreira na Moto2 é bastante complicada e escreverei sobre isso.

E nesta semana tivemos as baggers. Granado caiu pela 2a vez no ano (a 1a quando liderava em Austin) e viu Iannone vencer as duas corridas. Pelo menos chegou em 2° na última disputa e irá para Spielberg a apenas 7 pontos do líder McDonald, 19 à frente do Oscar Gutierrez e 20 à frente do Maniac. É a melhor chance que o Eric terá para ser campeão de uma série mundial. Foco!

Agora teremos o GP no lugar mais lindo da temporada: a Riviera de Rimini. Os italianos já deram milhões de voltas nesse circuito e conhecem cada pedrinha, cada nuvem. Acho que os favoritos serão Bez, Diggia e Martin. Ogura ainda é dúvida, mas se participar em bom estado físico também deve andar bem, pois é um circuito que tem muito grip, ao contrário de Motorland.

Mal posso esperar.
Até lá!

Pai orgulhoso do João e da Nanda, botafoguense, motociclista e cabalista. 15 anos como CIO e membro do Board de empresas multinacionais, participando no desenho e implantação de processos de logística, marketing, vendas e relacionamento com clientes e canais de vendas, inclusive por dispositivos móveis; Morou anos em Londres, é Fluente em Inglês e Espanhol, com conhecimentos avançados (leitura) e intermediário de Francês e Italiano; Possui cidadanias brasileira e francesa.

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