Misano 1 e os Testes

Pois é, meus camaradas, depois da tristeza profunda em que caí após o final da 1ª corrida da MOTOE veio o domingo e ótimas corridas nos 3 campeonatos “à gasolina”. O resultado de Misano praticamente consolidou o título do Quartararo, que está pilotando muito e teve cabeça para entregar apenas 5 pontos ao Bagnaia. Com quatro provas pelas frente e 48 pontos de vantagem, ele pode se dar a esse luxo. Palmas para o italiano, que suportou a pressão e não errou. A prova foi decidida na escolha dos pneus traseiros. Bagnaia foi de macio e tratou de abrir a maior margem possível nas primeiras 3 voltas, enquanto o francês era engolfado por um mar de Ducatis. Nas últimas 8 voltas, Quartararo, com pneu médio, partiu para cima e poderia até ter tentado uma ultrapassagem, se fosse necessária. Não era, portanto, 20 pontos na tabela são melhores do que 0 (entendeu, Granado?).

A beleza de escrever aqui no Motozoo, é que besteiras e acertos ficam registrados para posterior consulta. Eu sempre elogiei Enea “La Bestia” Bastianini e vejo nele e no Jorge Martin dois futuros candidatos a título. O pódio dele com uma Ducati 2019 é para ser aplaudido de pé. Ainda fez a volta mais rápida (na 17ª) que é o novo recorde em corrida. E poderia ter sido melhor, já que duas voltas dele no Q2 foram anuladas. Largou em 12º, mas poderia ter largado em 6º e chegado mais perto dos dois líderes, pois ele era o mais rápido nas últimas voltas. O “se”, no entanto, é muito relativo. Jorge Martin largou bem mais pra frente, vinha andando bem e perdeu a frente na curva 13…

Rins correu como nunca e caiu como sempre: tem que fazer um trabalho psicológico no cara. Eu o acho mais rápido e limpo do que o Mir, mas o que ele deixa de pontos no asfalto… é de enlouquecer o Ken Kawaushi e sua pranchetinha. Mir veio bem no final, mas se embolou com o Miller na última volta dando espaço para o ótimo 4º lugar do Márquez. Esse resultado do MM foi uma surpresa até pra ele porque o ombro direito estava dando trabalho e as quedas na 6ª e no sábado não ajudaram. Outro fator que pude observar durante a corrida é que o outrora todo poderoso motor da Honda não está acompanhando a Aprilia do Espargaró. Não esperava por isso…

Miller se mostrou visivelmente incomodado pela segunda vitória consecutiva do Bagnaia. Já mandou um discurso viñaleano tipo “tem algo na moto que ninguém consegue descobrir” etc, mas ficou mais otimista depois dos dois dias de testes. A Aprilia andou menos do que eu esperava, já que testou na pista há poucas semanas. Aleix perdeu para o irmão caçula, mas conseguiu se defender do Binder, que fez um bom 9º para uma KTM que deixou de andar. Viñales estreou com um discreto 13º, 5.5 segundos atrás do companheiro de equipe, o que não é tão ruim. Rossi andou sempre fora dos pontos, mas teve o mérito de chegar na frente do Morbidelli, e Dovi chegou em um distante último, mas esses dois deram uma melhorada considerável nos testes.

Na MOTO2 o espanhol Raul Fernandez ganhou de novo, totalizando 6 vitórias na sua temporada de estreia. Esse é um fenômeno, já escrevi antes e repito. Muita gente faz e acontece na moto levinha e não tão potente da Moto3 e passa anos gramando na categoria intermediária até se entender com um animal mais pesado e rápido. O Raul está 34 pontos atrás do Gardner tendo caído duas vezes em corridas que o australiano ganhou. O campeonato está nas mãos do australiano, que também tem pilotado muito bem. Ambos tiveram suas primeiras experiências com a KTM da Tech3 e o Poncharal ficou rindo à toa: vai ter dois leões na pista em 2022. Canet completou o pódio, seguido de Lowes e Bezzecchi, este último praticamente confirmado na VR46 de MotoGP em 2022, embora o patrocínio árabe esteja mais enrolado do que novela mexicana.

Na MOTO3 a nota triste foi o tombo do Fenati, para quem abertamente torço, enquanto liderava com uma certa tranquilidade. No final, Foggia repetiu a vitória de Aragón, completando seu 4º pódio consecutivo. Assumiu a vice-liderança, mas a longínquos 42 pontos do Pedro Acosta, com apenas 4 provas para descontá-los. “Carreras son carreras” e nada é impossível. O pódio foi todo italiano, para alegria da torcida, com Antonelli repetindo o 2º lugar da Inglaterra e Migno voltando ao pódio que não frequentava desde o GP de Portugal. Sergio Garcia fez um bom 4º, seguido de Masia e Binder.

OS TESTES

Como esperado, trabalharam mais as equipes que estão rendendo menos: Honda e KTM apareceram com uma miríade de peças novas. A fábrica japonesa também trouxe um protótipo da moto de 2022, bem diferente da moto atual, que foi revezada por MM, Pol e Bradl. Também testaram chassis e carenagens diferentes no modelo 2021. Alex Marquez aparentemente conseguiu encontrar um acerto que lhe deu mais confiança na frente da moto. Vamos ver se isso aparece em Austin porque ele tem feito corridas bem medíocres e há muito talento nas categorias inferiores esperando uma vaga pra subir.

Quartararo fez ajustes finos e Morbidelli passou os dias adequando a nova moto ao seu estilo, melhorando seus tempos. Outro que usou bem o tempo foi o Dovi, que pode se entender com uma moto que é totalmente diferente da Ducati a que estava acostumado e que tem que ser pilotada de outra forma. Eles também fizeram o shake down do protótipo 2022, mas não deram muitas voltas.

A KTM também testou novos chassis e aerodinâmica, mas acredito que o Oliveira está com algum problema físico ou psicológico (quem mandou se casar?) porque ele está andando menos do que o Binder depois de ter fechado a primeira metade do campeonato em alta.

A Suzuki me parece a fábrica menos ambiciosa de todas. Além de não ter equipe satélite, deitou-se nos louros de “ser a moto que menos consome pneus” que adquiriu no ano passado e ainda não entendeu que isso não é mais verdade. Testou um novo motor para 2022 que “pareceu” melhor, mas não testou peças significativas para a moto deste ano. É visível a frustração do Mir. O Rins é só sorrisos, porque já quebrou muitas carenagens e entende que é melhor ficar calado.

A Ducati continua investindo em aerodinâmica, mas andou fazendo tempos bem consistentes. Deram uma ajustada na GP21 para Misano 2, em outubro, e testaram várias peças para 2022, sem, no entanto, nenhuma mudança radical.

Em tempo (com trocadilho): os tempos desses testes não são parâmetros para nada. Muitas equipes escondem o jogo, com pilotos dando tudo em dois ou três setores e aliviando nos outros. O importante é colher dados e não revelar para os adversários o verdadeiro potencial de determinado equipamento.

Por fim, a Aprilia trabalhou na aerodinâmica para o ano que vem e em acertar a estabilidade na frenagem e entrada de curvas na moto deste ano, que aparentemente foram os fatores que prejudicaram o desempenho dos dois pilotos na última corrida.

Zarco operou o braço direito com sucesso e deve correr em Austin.

Falta só uma semana!
Até lá

Gostou? Então gaste alguns segundos para ajudar o Andre Bertrand no Patreon!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.