Fui conferir a repercussão internacional sobre este primeiro lugar do Diogo Moreira no teste das 850. A impressão que me deu é a de que o paddock realmente prestou atenção no Diogo.
A Motor Sport Magazine diz que existe um consenso no paddock de que a Honda foi a mais forte nesse teste, à frente de Aprilia, Ducati e KTM, com a Yamaha aparentemente atrás. E destaca especificamente Moreira como o piloto que estabeleceu o ritmo. O ponto mais importante para mim é este trecho da análise: Moreira já vinha sendo considerado “mightily impressive” em sua temporada de estreia e tem uma vantagem particular por conhecer os pneus Pirelli de seus dois anos na Moto2. A publicação também observa que a tecnologia dos pneus protótipos de MotoGP tem o mesmo “DNA” dos Pirelli usados nas categorias menores. Isso é bastante significativo, pois não estão atribuindo o resultado apenas à moto.
A italiana Gazzetta dello Sport também chama atenção para a dimensão do resultado: Diogo foi o mais rápido, com 1:28.4, ficando cerca de sete décimos abaixo do seu próprio melhor tempo de Q1 no GP da Áustria e mais de um segundo abaixo do seu melhor tempo na corrida. Nove pilotos conseguiram superar o melhor tempo de volta da corrida de domingo.
Antes mesmo desse teste, vi na Motorsport uma análise intitulada “How Diogo Moreira is working his way towards a Honda factory ride”. O artigo diz que a temporada de estreia já havia justificado o investimento da Honda e colocado Diogo em posição de disputar uma promoção para a equipe de fábrica em 2027. E há uma frase bastante reveladora sobre a percepção dentro do paddock: o brasileiro estaria sendo visto como um “complete package”, com uma combinação de naturalidade, confiança, frescor e respeito que as equipes procuram. É justamente aquela coisa que nós, que acompanhamos e torcemo para ele, conseguimos perceber: a maneira como ele chega ao ambiente, aprende, conversa com a moto e evolui.
A imprensa especializada está identificando o protótipo de 850 cc da Honda como RC214V. RC porque é o nome das motos de corrida protótipo da Honda desde os anos de 1960, 21 porque é do século 21 e 4 porque é a quarta encarnação da moto e finalmente V porque o motor tem a arquitetura V4.
É um protótipo de desenvolvimento. Ainda haverá evolução até Valência e, posteriormente, até a versão definitiva que entrará no campeonato. E isso explica inclusive uma coisa interessante: a Honda está usando pilotos diferentes para colher informações. No teste da Áustria, Diogo e Zarco estavam com a nova 850, enquanto Nakagami apareceu com a RC213V de 1000 cc adaptada.
“Diogo não foi simplesmente o mais rápido entre os pilotos Honda. Foi o mais rápido entre 18 pilotos, incluindo Acosta, Márquez, Bezzecchi, Morbidelli, Binder, Zarco e Toprak.“
O teste não teve cronometragem oficial por transponder, portanto os tempos são extraoficiais, obtidos pelo paddock. Mas, justamente por ser um teste de desenvolvimento, temos que botar o pé no chão e saber que as fábricas não estavam necessariamente fazendo a mesma coisa. Alguns estavam procurando performance, outros fazendo avaliação de componentes, outros trabalhando eletrônica, outros pneus etc. Por isso o tempo absoluto não permite dizer “Diogo é mais rápido que Marc Márquez”.
Mas permite dizer que naquela sessão, com a RC214V, Diogo Moreira foi o piloto que registrou o melhor tempo conhecido. E isso, para um rookie brasileiro em sua primeira temporada de MotoGP, é um baita cartão de visita para 2027, Goiânia vai BOMBAR!!
Me deixou animado!!!


