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Do Céu ao Inferno

Davide Tardozzi é o termômetro passional da Ducati LeNovo: se acaba nas comemorações e se rasga nos fracassos. Sábado, em condições extraordinárias, a Ducati LeNovo fez uma dobradinha que não acontecia desde o GP do Japão, no final de setembro: mais de meio ano de espera. No domingo, Marc caiu de bobeira e Bagnaia se arrastava em 9° quando ficou sem freios. É um desastre para quem investe tanto e detém tanta tecnologia. Atualmente eles estão no 5° lugar do campeonato de equipes, 100 pontos atrás da Aprilia Racing. Aparentemente trouxeram algumas soluções para o teste desta segunda-feira, mas teremos que esperar até o dia 8, em Le Mans, para sabermos se conseguiram diminuir a diferença para a Aprilia.

A marca de Noale não ganhou no domingo, mas botou suas 4 motos no Top6, com Bezzecchi aumentando sua vantagem no campeonato com um belo 2° lugar. Três vitórias e um segundo é um dos melhores início de campeonato dos últimos tempos: melhor que o do Formiga no ano passado. O título está encaminhado? A ver… os fracassos nas corridas de sábado ainda são uma pedra no sapato do italiano. Lembro que Martin só venceu 3 corridas em 2024, contra 11 vitórias do Bagnaia, e levou o título. Há muito campeonato pela frente.

Nos testes de hoje a Aprilia fez os 3 primeiros tempos, com Ogura 5 milésimos mais rápido que seu companheiro Raul. É preciso levar em consideração que esses tempos, ou a comparação deles, não é muito significativa, dado que cada equipe segue um programa diferente, buscando seus melhores tempos em momentos diferentes do dia. A Trackhouse botou pneus novos perto das 17h, quando a pista estava mais emborrachada e a temperatura, mais amena. Ainda assim o melhor tempo de hoje foi 35.944, contra 35.704 do Alex Marquez no Practice de 6a-feira.

Alex deu show e foi uma pena ter caído debaixo de chuva no sábado, quando liderava. Quem lidera nessas condições tem que tomar uma decisão muito difícil, dado o pequeno número de voltas para recuperar o tempo perdido na troca de motos. Em 2021, na Áustria, Brad Binder arriscou ficar na pista com pneus lisos e conseguiu vencer. Uma volta a mais e ele teria chegado em 10°… Aldeguer foi o piloto que arriscou por mais tempo nesta sprint, e acabou chegando em 17° e último. Não obstante a queda de sábado, Alex era quem tinha o melhor ritmo de corrida em pista seca e venceu com facilidade. Há pilotos que “casam” com determinadas pistas. Para o Alex, Jerez, Montmeló, Silverstone e Sepang são pistas em que tudo fica mais fácil. Diggia também foi bem e atribuiu seu terceiro lugar a modificações que ele decidiu fazer e que não ajudaram a conservar o pneu traseiro. Achei muito madura a postura dele na entrevista, assumindo que errou, sem jogar a culpa na equipe. Morbidelli fez um surpreendente 3° no sábado, trocando de moto no melhor momento, mas foi inexpressivo no domingo, em 12°. Aldeguer salvou um 9°, mas ainda não está 100% fisicamente.

As KTM desapontaram. Binder podia até ter vencido a sprint, pois foi o primeiro a trocar pela moto de chuva, mas se afobou e caiu logo depois. Arrancou um 4° do Diggia na última volta de sábado, mas chegou em um longínquo 11° no domingo, a 22 segundos do vencedor, colado em um Acosta com a aerodinâmica prejudicada. Bastianini, correndo sozinho pela Tech3, foi a melhor KTM, em 8°.

Uma das fofocas do paddock é que o Viñales caiu em desgraça junto à diretoria da KTM. Ele começou o ano praticamente certo que seria promovido para a equipe principal da KTM em 2027. Contratou Jorge Lorenzo como técnico e foi bem nos testes de pre-temporada, mas teve que se submeter a uma nova cirurgia no ombro e desfalcou a equipe em Austin e em Jerez. Seria compreensível se não tivesse vindo à tona que ele desobedeceu conselhos médicos, que tinham sugerido nova cirurgia no inverno para que ele pudesse correr bem em 2026. Com Pedrosa desinteressado em participar como wild card ou substituto e Pol Espargaró machucado, a Tech3 KTM correu com apenas uma moto e terá que pagar uma bela multa por isso. E assim Viñales vai fechando mais uma porta no paddock… ele e Martin competem cabeça a cabeça para ver quem se desgasta com mais marcas…

Zarco brilhou no sábado, vindo do Q1 para a primeira fila, quase pole. Foi a melhor Honda nas duas corridas (8° e 7°, respectivamente) e perdeu a chance de fazer um Top5 porque desgastou muito o pneu traseiro no início da corrida e foi alcançado pelas duas Trackhouses nas últimas 5 voltas. Moreira foi prejudicado por um tombo no Q1 que o deixou sem tempo e largando em último. Em uma pista estreita como Jerez não é facil recuperar posições e ele deixou de pontuar pela primeira vez no ano.

Entre as Hondas oficiais, Marini fez um pontinho no sábado ao chegar em 9° e arrancou um 13° no domingo. Mir finalmente conseguiu chegar e marcar 1 ponto pelo 15°, mesmo tendo que cumprir 2 voltas longas por ter ignorado os fiscais que lhe deram bandeira preta com círculo laranja e continuado na pista. Ele definitivamente não se ajuda.

E as Yamahas continuam se arrastando lá no fim do pelotão. Quartararo conseguiu um 7°, graças à chuva, e um 14° porque Mir perdeu uns 6 segundos com a sua punição e as duas Ducatis LeNovo abandonaram. O francês não esconde que já está fora do projeto. Segundo ele, os problemas sao exatamente os mesmos que ele reportou há 6 meses e a moto não tem nenhum ponto positivo: um pesadelo para o marketing.

Le Mans e Montmeló serão em dois fins de semana consecutivos e teremos uma boa oportunidade de observar o resultado dos testes de hoje.

O circuito francês sempre foi bom para a Ducati e o catalão, para a Aprilia. Mal posso esperar.

Até lá!