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A Gangorra Continua

Depois de um fim de semana difícil na Áustria, Marc Marquez voltou a recolher, pela 5a vez, os 37 pontos do fim de semana, tornando-se o maior vencedor do circuito de Motegi. Martin seguiu a estratégia que lhe deu o título em 2024, chegando regularmente em 2° e perdendo o mínimo de pontos possível. Um vacilo na última volta da sprint acabou lhe custando 2 pontos extras, quando foi demovido do 2° para o 3° lugar.

Ao final da rodada japonesa a diferença entre os dois é de apenas 2 pontos: a menor já registrada após 16 corridas. Marc tem 6 vitórias em corridas e 7 em sprints. Nenhum outro pódio. Jorge tem 1 vitória aos domingos, 3 em sprints, mas já soma 6 segundos lugares e um terceiro, e essa regularidade aparece nos 333 pontos já conquistados.

A próxima pista deve pender para o Martinator, uma vez que MM nunca concluiu uma corrida em Mandalika, mas pode haver surpresas. Depois da corrida de sábado a Michelin proibiu a utilização dos pneus traseiros macios (que ficaram bastante destruídos na moto do Bagnaia, Miller e até na do líder do campeonato). O warm-up foi alterado de 10 para 20 minutos de forma que os pilotoa pudessem se decidir entre o pneu traseiro médio de carcaça normal e o duro de carcaça reforçada. Esse pneu de carcaça mais rígida causou inúmeros problemas para a Ducati na Tailândia e no Brasil. Na Áustria eles acreditavam que tinham encontrado um acerto apropriado para aqueles pneus, mas outros problemas não permitiram uma avaliação mais adequada. Com a Aprilia insistindo na questão da segurança, a Michelin praticamente obrigou todos a optarem pelo pneu “mais seguro”, o que poderia ser uma desvantagem para a Ducati. Não foi.

Isso muda um pouco os prognósticos para a corrida da Indonesia, onde os pneus mais rígidos serão utilizados. Lembrando que a Ducati venceu ano passado com o Aldeguer… resta saber se o Formiga vai conseguir exorcizar os fantasmas de Mandalika. Se não conseguir, a gangorra tenderá para a Aprilia, para depois voltar para a Ducati em Philip Island.

A sprint acabou prejudicada pela barbeiragem do Alex Marquez logo na terceira curva, quando derrubou Diggia e Acosta. Esse tipo de coisa é de uma burrice sem igual, pois ele estava bem, tinha sido o mais rápido na sexta-feira, e acabou destruindo as suas chances no sábado e no domingo, quando teve que pagar duas voltas longas como punição. Ele estava em oitavo, forçando para chegar na disputa Raul, Ogura e Acosta, quando caiu na curva 12 pela segunda vez no fim de semana. Triste.

Bagnaia herdou esse oitavo lugar no domingo. Para quem vê de fora, parece que o bicampeão está mal, mas ele completou a corrida em 41’51.800, bem mais rápido do que os 42’09.312 com que venceu a corrida de 2025. Ele não ficou mais lento, os demais é que ficaram mais rápidos. As 24 voltas foram concluídas em 37.845 segundos a menos do que no ano passado. Isso dá pouco mais de 1.5s por volta.

Os pneus duros e o novo asfalto de Motegi permitiram que o Bastianini fizesse uma sequência de 4 voltas recorde de pista entre a 20a e a 23a, baixando o recorde do ano passado de 1’44.412 para 1’43.041. Ele chegou a menos de 1 décimo do Bezzecchi. La Bestia também teve um ótimo desempenho na sprint, perdendo a medalha na ânsia de ultrapassar o Martin, seguindo-o pela faixa verde na saída da curva 10.

O que nos leva ao Diogo Moreira. Eu esperava que a Honda anunciasse “em casa” a definição das suas duas equipes para 2027. Diogo correu muito bem a sprint, vinha mais rápido do que Martin e Bastianini, os viu exceder os limites da pista e nem tentou um ataque nas últimas curvas. Herdou uma medalha de prata do circuito da Honda e foi bastante maduro ao dizer que era um “podio fake”, que foi possivel graças ao strike do Alex e ao erro dos pilotos que iam à sua frente. Meu amigo Mario tascou-lhe uma “praga de comentarista” ao escrever no sábado que ele caia pouco. No domingo uma “queda estranha” na curva 9 o impediu de participar da bela disputa pelo 5° lugar.

Se no sábado a corrida foi uma procissão de 12 voltas com alguma emoção apenas na última, no domingo houve a ultrapassagem pelo primeiro lugar e uma disputa acirrada pelo 5°, com as duas Trackhouse e a KTM oficial do Acosta andando coladas e trocando algumas vezes de posição. Acosta levou uma eternidade para ultrapassar o japonês, e não quis esperar muito para tentar roubar a posição do Raul Fernandez na curva 9. Raul fez o X, deixando Acosta exposto ao ataque do Ogura na curva 10. Para frustração da torcida local, o japonês não conseguiu ultrapassar o companheiro de equipe, mas acredito que esses dois, além do Acosta, estarão no grupo da frente na Indonésia.

Mandalika se tornou uma questão de sobrevivência para Marco Bezzecchi. Nas últimas 5 corridas, embora ele tenha feito 4 terceiros lugares, ele só chegou à frente do Martin em Aragón, somando 98 pontos contra 125. Na sprint de sábado ele foi um dos poucos a correr com o pneu traseiro médio e a aposta não deu certo: acabou em 6°. Ele precisa retomar o protagonismo dentro da equipe e começar a diminuir a desvantagem de 49 pontos para o líder. O trunfo que ele tem na manga é que a Aprilia preferiria vê-lo campeão do que o espanhol levando o número 1 para a Yamaha. A próxima rodada será decisiva para a equipe de Noale, pois se o Martin aumentar ainda mais a distância para o italiano e a disputa do campeonato ficar apenas entre Martin e Marquez, pode ser que Bez comece a receber ordens de equipe para ajudar o companheiro.

A vitória de domingo foi a 100a vitória de uma Ducati criada pelo Gigi Dall’Igna. Ele é um gênio que vem criando as melhores motos do grid desde 2017, com exceção de 2019, quando a Honda fez um notor excepcional. Houve anos em que ele teve um bom piloto, mas não bom o suficiente. Houve anos em que os bons pilotos da concorrência pilotavam equipamentos muito inferiores, e a disputa ficou dentro da marca. Em 2026 a Aprilia deu um passo à frente. É uma moto muito rápida de curva e que acelera muito bem. A GP26 está melhorando aos poucos, mas Noale ainda está à frente de Borgo Panigale. Incrivelmente estão rigorosamente empatadas no campeonato de construtores, com a Ducati à frente pelo número de vitórias (8 a 7, KTM tem 1).

A Honda veio com uma pintura muito bonita inspirada na RC181, a moto com que a marca japonesa entrou no campeonato de 500cc em 1966. Mir está com uma doença ainda não diagnosticada (ou divulgada) e não tem data para voltar. Foi substituido pelo Somkiat Chantra, que chegou em 13° à frente de Viñales, Morbidelli, Rins, Toprak, Diggia (com as costelas machucadas) e Miller. Foi surpreendente. Marini ficou bem apagado por todo final de semana, bem atrás das motos da LCR. Fez um 11° no sábado e 10° no domingo, quando as duas LCR caíram.

Aldeguer foi outro que mal apareceu no Japão, conseguindo um 9° a 3 segundos do Bagnaia. Espero que as lembranças da primeira vitória o animem em Mandalika. Binder foi a terceira KTM, uma situação melancólica, assim como Morbidelli, que aparece mais atrapalhando outros pilotos do que na pista. Inacreditavelmente conseguiu a vaga do Bulega na equipe oficial Ducati no WorldSBK. Era a vaga mais disputada do outro campeonato, portanto Franco ganhou na loteria. Espero que volte a mostrar valor, porque me parece muito ausente e sem brio.

As Yamahas estão muito fracas, por isso o 9° lugar que deu um pontinho para o Quartararo no sábado foi digno de comemoração (lembrando que 3 favoritos ficaram na brita na 1a volta).

A fofoca do grid é que Marquez se recusou a participar da corrida de kart que aconteceu entre o warm-up e a corrida de Moto3 no domingo. Ao término de cada atividade ele precisa cuidar do ombro, e até mesmo as conferências ele faz tentando acabar o mais rápido possivel. Ele deve levar uma multa da Dorna e um coque, pra deixar de ser desobediente.

Na Moto3, a decisão do título foi adiada mais uma rodada. Quiles tem 127 pontos de vantagem sobre o Almansa. Se terminar o GP da Indonesia 125 pontos à frente será o campeão de 2026.

Na Moto2, Manuel Gonzalez fez mais uma manuelice e deixou a moto morrer na largada. Não pontuou e viu o Guevara vencer pela 2a vez consecutiva, diminuindo a confortável diferença de 35,5 pontos para apenas 10,5. Será que o Manu vai perder mais um título depois de parecer ter uma mão na taça?

Ainda bem que Mandalika já começa na quinta-feira!
Até lá!