SONHOS SE REALIZAM…

SONHOS SE REALIZAM…

Fico imaginando o pequeno Miguel Ângelo de Oliveira quando começou a correr de motocicletas fechando os olhos na hora de dormir e se imaginando a vencer um Grande Prêmio de MotoGP em Portugal, largando da pole, liderando de ponta a ponta e fazendo a volta mais rápida. Deve ter parecido bom demais até para o pequeno sonhador, mas ele trabalhou duro e fez acontecer.

Cada vez mais acredito que qualquer coisa é possível para quem dá o seu máximo até atingir o seu melhor potencial. Quem fica chorando e reclamando… nunca será!

Gostei muito desta pista de Portimão. É fluida e tem um quê de Phillip Island e da saudosa Laguna Seca, fugindo do padrão acelera-freia-acelera da maioria dos circuitos. As três corridas tiveram pegas disputados, mesmo que não pelo primeiro lugar. Dado o calor, todos os pilotos do MotoGP optaram pelos pneus duros na traseira. Apenas 4 optaram pelo duro assimétrico, com uma borracha mais mole do lado esquerdo. As duas Suzukis, Zarco e Petrucci, e todos ficaram sem pneus faltando 10 voltas. Isto é, menos o Mir, que teve um fim-de-semana para esquecer. Teve problemas com a eletrônica da moto no Q1, largou em 20º, tentou recuperar muitas posições na primeira volta, dando um encontrão no Bagnaia, que tirou o ombro do italiano do lugar, e ainda bateu na traseira do Zarco. Um pouco depois percebeu que o controle de tração não estava funcionando e abandonou. Rins foi bem enquanto teve pneus, mas acabou em um distante 15º.

Isso entregou de bandeja o título de construtores para a Ducati, que não o ganhava desde 2007. É preciso destacar que a Ducati leva uma considerável vantagem na disputa de construtores, já que corre com 6 motos e os pontos da melhor colocada são somados ao total da marca. Cinco dos seus pilotos contribuíram para o campeonato, com as vitórias de Dovi e Petrucci, os 2ºs lugares de Miller e Bagnaia e até o 3º lugar do Zarco em Brno. Mais motos na pista minimiza a possibilidade de zerar no GP e está na hora da Suzuki pensar seriamente em ter uma equipe satélite em 2022. Dado o relacionamento do Rossi com o Brívio, quem sabe não pinta uma SKY VR46 Suzuki?

Tirando o Oliveira, o resto dos colocados não diferiu muito do último GP. Mais uma bela disputa entre Miller e Morbidelli na última volta, Pol fazendo uma corrida consistente, Nakagami correndo bem nas últimas voltas, sem conseguir ultrapassar a KTM, as Yamahas 2020 do 11º pra trás. Bela surpresa foi a chegada do Dovi em 6º, o que o deixou em 4º no Campeonato a 3 pontos do Rins. Aliás do 3º, Rins, ao 7º, Miller, foram só 7 pontos (139-132) com vários pilotos embolados. Fim de campeonato sombrio para o Quartararo, que acabou em 8º. Ele fez 50 pontos nas duas primeiras provas e 77 nas outras 12 (!). Pelo menos ele admite os seus erros e não joga a culpa dos fracassos no colo da equipe como o Viñales faz costumeiramente (e tornou a fazer ontem). Nem sei como o chefe de equipe dele encontra motivação. O Ramon Forcada, que o Maverick demitiu, levou o Morbidelli ao vice-campeonato.

E Bastianini foi o campeão da Moto2!!! Gosto muito dele e acho que fará sucesso no MotoGP depois que se adaptar. É um piloto arrojado, que era considerado meio desmiolado na Moto3, mas soube correr com a cabeça e chegou na posição que precisava. Aliás, no Top 7, 3 que vão subir para o MotoGP (la Bestia, Marini e Martin) e os 4 que vão disputar o título no ano que vem: Gardner, Lowes, Bezzecchi, e Roberts, que, aparentemente, recusou uma oferta para pilotar a segunda Aprilia. Fiquem de olho também no Raul Fernandez, que ganhou as duas últimas corridas de Moto3 e está subindo para a Moto2 com o Aki Ajo.

Na Moto3 o Arenas confirmou o favoritismo e levou o título. Não sem antes quase matar o Jorge Martinez do coração, porque se envolveu em disputas desnecessárias na última volta e quase caiu… Tony Arbolino perdeu a chance de lutar pelo título no sábado, quando teve problemas e só conseguiu a 27ª posição no grid. Ainda assim chegou em 5º e acabou sendo vice-campeão a 4 pontos do Arenas. Ogura chegou em 8º, fazendo os mesmos 170 pontos do italiano, mas ficou em 3º no critério de desempate.

Por fim, fica aqui o agradecimento e o elogio ao trabalho do Carmelo Ezpeleta, o CEO da Dorna, e a toda a sua equipe. Neste ano caótico de arquibancadas vazias eles conseguiram organizar um campeonato decente, que manteve a nossa paixão viva. Espero que 2021 seja um ano com menos problemas logísticos e que o campeonato retome o curso da normalidade, mas não temos doquê reclamar.

Valeu a pena!

Até os testes de Sepang.

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