Ducati 1199 Panigale

Meu Deus, eu ando muito preguiçoso com os meus textos e testes. Na verdade é que o tempo anda muito corrido. Falta dinheiro para todos, mas o que não falta é trabalho, coisas para fazer, correndo atrás dele.

Já tive inúmeras oportunidades de andar com a Ducati 1199 Panigale, de todas as versões, menos a Superleggera, embora até ela esteja disponível por aqui, a do Ormeo Botelho. E nunca tinha me dado ao trabalho de escrever sobre ela. Só me toquei no último fim de semana, que passei andando com uma, e me divertindo muito.

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As Ducati’s SBK são as motos mais superbikes que você pode comprar em uma loja. Desde o início, com a 851, passando pela mítica 916 desenhada por Tamburini, são motos de corrida com placa e farol. Nenhuma outra marca tem a coragem de assumir este compromisso tão extremo, para o bem e para o mal. Sempre foram as menores, as mais radicais em sua categoria. Sempre construídas para correr.

O mercado americano gosta de motos com nome, e como são o maior mercado da Ducati, a SBK ganhou um nome também. Panigale, que vem de Borgo Panigale, localidade onde está instalada a fábrica na Itália.

Para escrever pouco, maldita preguiça, compare e veja que moto pode ser comparada com a 1199?

Nenhuma outra é “frameless”, este design em que a moto não possui quadro. Antes dela a Ducati usava quadros de treliça, que também ninguém usava nesta categoria, e agora enquanto todos usam quadros perimetrais de alumínio, a Panigale simplesmente não tem um quadro. A moto é aparafusada toda no motor. Isso tira uns 8 kg da moto, o peso de um quadro bom.

Nenhuma outra moto usa um motor como o Superquadro, um L2 enorme, 1200cc, com pistões imensos, de curso superquadrado, com comando desmodrômico. Potentíssimo, original, diferente, uma pedrada.

Nenhuma outra tem um painel full color programável, que muda de cara de acordo com o modo de pilotagem e até a luz, pois ao entrar no túnel ele muda o esquema de cores, voltando ao normal na luz do sol.

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Nenhuma outra tem o arranjo das suspensões da Panigale, colocada ali daquele jeito incrível, que design!

Outras características já estão presentes em outras marcas, mas a Ducati foi das primeiras a usar, como a eletrônica sofisticada de mapeamento, freios e segurança. A balança monobraço é linda, mas justiça seja feita, a Honda comprou a ELF e usou primeiro em suas motos. Não deixa de ser um diferencial da Ducati, só não é exclusivo.

Exclusivo mesmo é a beleza da Ducati Panigale. É um design que ainda aponta para o futuro, é outra categoria de design. Eu por exemplo, adoro a Aprilia RSV4, linda, bem construída, ou até a Bimota DB7 que testei aqui no Motozoo®, um nível de construção absurdo, mas elas são o melhor do design atual. A Panigale é o futuro. Ainda é futurista.

Andando com a moto…

Ela liga surpreendentemente fácil, comparado com os Desmoquattro’s, que são pesados para virar. O Superquadro acorda mais fácil e mais leve. O som é diferente, mais escandaloso, bate mais grave e ao acelerar, mesmo parado, já se percebe que o motor sobe de giro muito mais rápido, tem muito menos inércia e gosta se girar mais alto.

Ao subir na moto repara-se na magreza da seção central, a moto é muito fina no meio, muito diferente. E mesmo assim, e com o amortecedor exposto ali do lado esquerdo, ao se ajustar na posição de pilotagem tudo se encaixa e nada atrapalha. A moto foi esculpida para receber um piloto em posição de pilotagem. Os espelhos são usáveis, o painel perfeitamente posicionado e com as info’s relevantes bem visíveis. Apesar da sofisticação mecância e detalhes que a moto tem, ao subir nela o piloto tem uma visão limpa e simples, superfícies lisas e livres para se mexer sem problemas ou distrações. É incrível isso. É o cockpit mais bonito, integrado e inspirador que já usei.

A caixa de marchas é precisa e conta com quick shift. Eu sou um velho e nem uso muito, se bem que na pista é que isso tem valor. Funciona bem se vc estiver mesmo disposto a acelerar. Se não for assim, melhor usar normalmente. A embreagem é leve, progressiva e silenciosa (tudo o que não era).

Um bom clunk indica a primeira e a moto sai sem a menor dificuldade. Tem um excelente esterço para uma SBK, é boa de manobrar. Quando bem acertadinha, eu recomendo um PowerCommander, Rapid Bike, Bazzaz, Unichip.. estas coisas, anda sem trancos ou big COFF’s. Com 1 minuto de uso lento o calor já sobe com força. Usando couro e na estrada ou pista, o problema é ZERO, mas de jeans no engarrafamento o problema é 1000. Esquenta pacas e sem um quadro para te proteger e absorver calor, o motor encosta na sua perna. Não é moleza não. Não é feita para isso. Leiam o que eu falei acima, é uma moto com poucos compromissos com o uso urbano.

Na estrada, ou na pista, seu comportamento é exemplar. Bem suspensa, mesmo com a Showa do modelo de entrada. A Showa é tão boa que as Ohlins do modelo S nem tiram a onda que tiram em outras motos que já provei. Bons freios, com imensa potência e modularidade. Bom equilíbrio e posição de pilotagem. Intimida um pouco e requer uma arrumação mental o encaixe na moto. A magreza ali do meio o faz ter que procurar um apoio que afinal, é natural.

O mais difícil para mim é lidar com o motor. Ele é muito forte e gira muito alto para um V2. Para comparação, a minha Aprilia acaba aos 9 mil giros. A Panigale, no modo RACE, o painel só começa a marcar giros nos 7 mil! Para dar couro nela é preciso muita concentração, muita segurança, porque ela anda muito mesmo, gira muito mesmo e as coisas rapidamente ficam perigosíssimas. Nada diferente das SBK’s concorrentes, mas é estranho para mim ficar mantendo uma Ducati acima dos 10 mil giros.

Tenho alguns quilômetros no lombo da Panigale R do Armando e é mais brava ainda. Tem muita diferença do motor da R para o da S e a normal. Imagino o da Superleggera.

Ainda não andei com ela na pista, deve ser o cão chupando manga. E somente aí eu poderia escrever sobre a eletronica. Andando na estrada e cidade não consigo sequer perceber ela entrando.

Na estrada é uma delícia, vc se sente equipado para fazer o que quiser e preparado para enfrentar qualquer coisa sobre rodas. As curvas são feitas sem esforço, a injeção é bem mapeada e a moto é muito fácil de equilibrar e tocar. Comparando com as anteriores, mesmo faltando um tiquinho de torque mais embaixo e sendo mais aflita para subir de giros, é mais fácil e confortável de usar. Pela sensação de leveza e precisão, ergonomia, pela embreagem. A potência é sensivelmente maior do que a 1198 e a facilidade com que o motor sobe de giros deixa isso muito claro.

É isso, topo do mundo. E olha que dizem que a 1299 é ainda mais refinada. Difícil até de imaginar onde mexeram para melhorar, exceto o impossível, tirar o calor.

É uma linda linha, faz parte de uma linda história. 851->916->996->998->999->1098->1198->1199->1299

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É isso.

Abraços, Mário Barreto

 

 

 

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Para a fauna do Motociclismo