MotoGP Jerez 2016

É galera, vejam a cara do Lorenzo com o Ramón Forcada… não é boa né?

Após anunciar sua partida para a Ducati em 2017, imediatamente o Rossi fez uma coisa que não fazia tem anos!!! Hahahaha! Não se trata de ganhar corridas, pois ele ganhou ano passado, mas sim de ganhar de ponta a ponta, fazendo pole e o escambau.

Todos sabem que não tenho mais a simpatia que já tive pelo Rossi, então fica fácil achar que o Lorenzo nunca mais vai ter uma moto igual a dele. Como era no tempo do Rossi com o Colin Edwards. Nunca vou me esquecer do dia em que o Rossi caiu, machucou-se e precisaram que o Colin desse combate ao Nick Hayden. Neste dia, Colin que andava sempre para quinto ou sexto, fez a pole e quase ganhou a corrida. Acho que isso vai acontecer agora, vamos acompanhar.

Rossi em Jerez, em forma
Rossi em Jerez, em forma

Como o Rossi está andando muito, e agora mais motivado do que nunca com a saída do Lorenzo, a Yamaha poderia arriscar e escolher o piloto para ser campeão. Não basta dar uma moto melhor um tiquinho, o piloto tem que conseguir aproveitar isso, e o Rossi consegue. Lembrando que isso já seria esperado, mas mais para o meio do ano. Lorenzo não dará mais pitaco no desenvolvimento da moto, não testará a moto 2017, talvez receba peças especiais com mais atraso… é isso, virou segundo piloto. Desconfiar que Rossi teve moto melhor é recalque, mas que o Lorenzo virou piloto número 2, mesmo sendo campeão do mundo, é fato.

É o problema de resolver muito cedo as trocas de equipe, isso tinha que mudar, tinha que ser proibido.

A corrida foi um saco, com pouca emoção. Na estréia das asas novas nas Suzuki’s e Aprilias, sem falar as Honda’s que tiveram suas asas aumentadas, eu comentaria a atuação do Aleix Espargaró que finalmente chegou na frente do Viñales, e do Bautista que quase foi ao Q2 com a Aprilia RS GP, uma melhora e tanto! Ambos correndo em casa. Na corrida a Aprilia não brilhou, nem as Ducati’s. Iannone levou pau de Suzuki, algo anormal para hoje em dia e Dovi mais uma vez teve azar!!!! Soltou uma peça da bomba (?) e foi parar na roda, travando-a. Apostei que Carl Crutchlow iria cair antes da décima volta e me dei mal. Eu estava péssimo, porque apostei que Rossi passaria a primeira volta em quinto, e o velho liderou de ponta a ponta.

Mãe Jaciara precisa trabalhar mais
Mãe Jaciara precisa trabalhar mais

Vamos ter que aguardar mais corridas para saber como vão ficar as coisas. Até agora sabemos que as Honda’s não estão boas, que as Yamaha’s estão sobrando, que as Ducati’s não tem um piloto de ponta, que as Suzuki’s e as Aprilias estão melhorando. Falta saber como Lorenzo e Forcada irão ser atendidos pela Yamaha.

Abraços

Mario Barreto

Entrevista Levy Lopes – Nosso Globetrotter

Continuando com o nosso projeto de entrevistas, desta vez vamos descobrir como o  Levy, nosso amigo e motociclista carioca conseguiu tanta disposição para viajar, pilotar e andar de moto, com tanta história para contar.

 

Como tudo começou Levy?

Eu morava em Marilia,interior de SP quando tive minha primeira moto, aos 15 anos, uma Leonette, ciclomotor da Jawa. Eu nem podia pilotar pois so era permitido com 16 anos e com autorização do pai, por isso fugia todo dia do Guido Modeli, delegado local que me perseguia com seu fusquinha.
Depois comprei, de segunda mão, uma Mondial 50cc motor dois tempos, já uma moto moderna, com pinta de esportiva e com ela participei da minha primeira corrida, num circuito de rua, em Pederneiras uma cidade vizinha.
Então a paixão por corridas já vem de longe…
Pois é, só tinha Lambrettas ,LD 150 e LI 175cc, todas peladas,sem carenagem e tinha uma Hondinha 75cc. Eu não tinha a menor idéia, a inscrição foi feita pelo Beto, o mecânico, pois eu não tinha idade para correr. Já estava no grid pra largar quando o Beto veio correndo com um capacete e uma jaqueta de couro, eu resisti em pôr mas me falaram que era obrigatório… eu ia largar de jeans,camiseta e tênis. Largamos, viramos a primeira esquina e um descidão de duas quadras e na esquina a esquerda a Hondinha abriu e eu passei por dentro! Só ouvi a turma mariliense gritar, aí Levy! Mais duas voltas passei umas 6 Lambrettas e aí o pessoal de Marília fez sinal pra eu passar por baixo das cordas que fechavam o circuito e fugir pois o delegado local descobriu a tramóia na inscrição e que eu não tinha idade.
No dia seguinte saiu meu nome no jornal de Marília, contando a façanha do garoto que tinha corrido em Pederneiras e dando coro nas Lambrettonas teve que abandonar por motivos policiais… claro que meu pai viu e encerrou ali minha carreira de piloto.
Hahaha! Muito boa história, mas não acabou aí a carreira de piloto não é? Como sua história com as motos continuou?
Bem, o tempo passou, algumas reformas na Mondial mas aos 17 anos meu pai teve sérios problemas financeiros e o que me restou foi a Mondial, que com lágrimas nos olhos vendi para para bancar 3 meses de pensão em São Paulo, Capital, onde me aventurei a ir trabalhar, estudar e tentar ganhar a vida.
Foram anos de penúria, solidão e dureza mas consegui dar a volta por cima e transferido para o Rio por questão de trabalho, voltei a ter contato com a moto de novo.
Aluguei uma CB360 de um colega de trabalho e logo comprei uma CB 400 Four vermelha, depois uma CB 750 Indy montada no Brasil e logo que abriu a importação uma Kawa Ninja ZX-10. Com ela comecei a viajar com uma galera, Beto Javali, Germano, Mario Preto, Feijão e outros, era o Trem da Morte.
Foi aí que comecei frequentar o encontro das quartas feiras em Copacabana e conheci duas pessoas que foram decisivas no meu mundo de motociclista. O Bebeto, que falou dos trackdays em Jacarepaguá e o Mario Miúdo que me contava das suas viagens de moto pela América do Sul.
Não conheço todos, mas com certeza o Juiz Moro decretaria formação de quadrilha. Animou-se então a voltar as pistas…
Eu tinha então uma Suzuki 750 GSX-F e fui fazer meu primeiro track day. Depois de algumas voltas vi que conseguia andar com as R mas vi também que tinha a moto errada e comprei uma CBR-600F. Estávamos em 1999 e eu já tinha 48 anos.  Soube então das corridas e resolvi me aventurar em Interlagos, meti a moto já com carenagem de pista dentro de uma Caravan da Chrysler, sem bancos e mesmo assim tendo que tirar a bolha pois não entrava no carro. Chegando em Interlagos eu não sabia nem pra onde virava e na largada, dentro do grid, fiz a famosa pergunta, “o que to fazendo aqui?”
Mas peguei gosto pela coisa e comecei a participar de trackdays e uma ou outra corrida, só no Rio e Interlagos. Da 600F, voltei pra CB500, depois para CBR 600RR 2003 e R1 2007. Só fui trocar pela BMW S1000RR em 2012, quando comecei a participar do Campeonato do Moto1000GP correndo em outros autódromos e ganhando mais experiência.
Depois de apanhar e cair muito com a S1000 em 2013 troquei pela ZX-10R e em 2014 corri o Superbike Series, categoria Light Master, ganhei 3 corridas das 4 em Interlagos e só não ganhei o Campeonato pois tive que faltar a etapa de Santa Cruz do Sul! Naquele fim de semana nasceu minha neta, eu ja era vovô então, com 63 anos, brigando com pilotos quase 20 anos mais jovens. Em 2015 fiz apenas 2 etapas e resolvi parar porque cheguei a conclusão de que ou eu ia para uma equipe de ponta, tendo que gastar uma fortuna para evoluir ou me dava por feliz de ter realizado um sonho de garoto. Mesmo tendo sido na terceira idade, ainda com vigor e disposição de adolescente.
Levy 2
Ganhando corridas!
Sei que ao mesmo tempo aconteceram as viagens. 
Sim, eu sonhava com as aventuras que o Mario Miúdo me contava, de suas aventuras pelas estradas e me lembro de um almoço no Gula Gula com o Cecelo, um amigo que dizia ter vontade de fazer uma viagem de moto pelo Chile e Argentina e eu disse:”pode ser semana que vem?”. Ele tinha uma Honda Shadow Classic 1.100 e eu aquela GSXF-750, portanto não combinava. Comprei então de um amigo uma Shadow 1.100 igual do Cecelo, só que preta, a dele era amarela, e fomos com as namoradas na garupa até Santiago, Puerto Montt e voltamos por Bariloche e Buenos Aires, rodando uns 11.000kms em uns 20 dias.
Cacetis! Iron Butt. E com garupas!
Aí não parei mais, foram várias viagens. Em 2004 fui até Ushuaia em uma Triumph Tiger 1050, na volta subindo  pela Carretera Austral e voltando por Santiago. Em 2007 fui a San Pedro de Atacama e em janeiro de 2010 fui a Salta no norte da Argentina.
E a volta ao mundo?
Em junho de 2010 com uma BMW GS 1200 Adventure fiz a grande aventura da minha vida que foi dar a Volta ao Mundo de Moto. Eu e um companheiro com outra GS despachamos as motos para Portugal de avião e dali subimos a Europa toda até a Escandinávia entrando na Rússia por São Petersburgo depois Moscou e cruzamos a Transiberiana até Vladivostok. Depois de ferryboat para a Coréia do Sul embarcamos as motos de avião para Los Angeles e descemos rodando pelo México, América Central e Colômbia, Equador, Peru, Chile e Argentina. Foram 71 dias percorrendo 24 países, 3 continentes num total de 33.000 kms.
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Moscou
Quem tiver curiosidade pode ver como foi no blog www.levylopes.blogspot.com.
A partir de 2011, sempre com a garupa da Teresa minha mulher, fiz a Route 66 nos USA, em 2012 já de Honda Goldwing fui a Machu Pichu no Peru, via Rio Branco no Acre, subindo a Rodovia Transoceânica, que liga o Acre ao Pacífico, voltando pelo Chile e Argentina. Em 2013 no Carnaval um pulo a Gramado, fazendo a Rota dos Vinhos e no final do ano um roteiro pelo sul da Itália até a Sicília. Em 2014 uma outra viagem a Ushuaia com a valente Honda Goldwing, que encarou muito vento, rípio e lama mas que levou a mim e Teresa com toda segurança.
Em 2015 troquei a GW por uma BMW K1600 GTL, fizemos algumas viagens por Minas e outro passeio de novo pelos Alpes Suíços e Italianos.
Esse ano de 2016 temos um projeto ousado que esta em estudo e se der certo contamos na próxima.
Valeu Levy, obrigado por sua entrevista ao Motozoo®. Suas aventuras, viagens, suas corridas e competência como piloto e motociclista são um exemplo para todos nós, que amamos o motociclismo. Temos muito ainda para rodar!!! Cliquem no link do blog do Levy (acima no texto) e vejam mais fotos e fatos da viagem de volta ao mundo.
Levy 4
Interlagos
Abraços
Mário Barreto

MotoGP Argentina 2016

Todo ano dá esta dor de ter uma corrida na Argentina e não ter aqui no Brasil. Triste não é? Ainda não fui até Rio Hondo conhecer a pista, dizem que é linda, mas é longe prá caramba. É no meio do nada. Até pensei em ir de moto, uma viagem incrível, mas não consegui. Ano que vem vou, prometo.

É uma pista rápida, dizem que no estilo de Philip Island, mas que tem um problema… como é longe e não tem corridas para ficarem usando o piso, ele é ao mesmo tempo sem grip e áspero, o que trouxe problemas para os novos pneus Michelin. Em um mico daqueles, a Michelin mandou todos pararem para trocar de pneus no meio da prova, por segurança. Acho isso uma coisa horrível em corridas de motovelocidade, estraga a prova. Fica parecendo a idiotice da F1.

Vimos que o Rossi estava pertinho do Marc Marquez na primeira metade e ao sair dos boxes separaram-se mais de 3 segundos na primeira volta. Não acho isso justo.

Marc Marquez teve um ótimo fim de semana. Treinou bem, foi pole position e mesmo largando mal, foi tocado pela vaca brava do Iannone, recuperou-se e venceu com folgas. Dizem que a Honda se sobressai quando as condições de pista não são tão boas. A Honda não consegue aproveitar o grip da pista como a Yamaha, faz curvas mais no estilo de frear com força virar quadrado e dar a mão. As Yamahas penduram na borda do pneu e quando falta isso, elas sofrem mais. Corridasso do Marc e o pódium cagada do Pedrosa. E porque o Pedrosa não anda igual? Porque a pilotagem do Pedrosa é mais fina, ele não consegue fazer as curvas mais quadradas como o Marc consegue.

Lorenzo não conseguiu se impor nos treinos, largou de terceiro e largou muito bem, como de costume. Porém, algo nele ou na moto não estavam bem e ele foi perdendo posições até cair. Claro que o Carl Crutchlow caiu primeiro… inacreditável como ainda dão motos para o Carl andar, ele quebra todas.

Maverick Viñales vinha bem com a Suzuki, mas passou em cima de uma poça preta que derrubou muita gente em todas as provas. Um mico o papel da Michelin nesta corrida. O pneu dianteiro sem nenhum feedback, pois todos caíram igualzinho e no mesmo lugar.

Rossi, o vencedor do ano passado, classificou muito bem em segundo e vinha fazendo uma prova excepcional até a maldita parada, quando perdeu ritmo e ficou longe do Marc. Estava vindo para um ótimo segundo lugar quando as Ducati’s apareceram babando e faltando duas voltas as duas o ultrapassaram, com Dovi fazendo um mergulho magistral e passando Iannone e Rossi de uma vez só.

Está muito difícil passar a Ducati quando tem retas e se está só um pouquinho melhor de curvas. Rossi, mesmo com uma moto menos competente do que na primeira metade, estava encostando no que seria o miolo, mas basta acabar as curvas que as Ducati’s se esticam rápido.

Aí, aconteceu o lance mais incrível da corrida, que foi o Iannone, The Maniac, The Crazy Joe, de forma atabalhoada e imbecil varrer o Dovi para fora da pista na última curva da prova, entregando um pódium com duas Ducati’s para as Hondas. Uma estupidez que quase aconteceu no Qatar e que aconteceu hoje em Rio Hondo.

É o que acontece quando a equipe está com o pulso fraco, tomada de incertezas e fofocas, e não define quem é o primeiro piloto. Sempre acontece isso. Alguns vão lembrar do Pedrosa fazendo algo parecido no Nick Hayden, com a diferença de que Pedrosa era o primeiro piloto de fato. Na Ducati o Gigi Dal’Igna tem preferência pelo Iannone e Dovi está praticamente rifado para o ano que vem. Ficou desde o ano passado esta coisa de primeiro piloto meio no ar e dá nisso. Primeiro piloto chega a botar no contrato que o segundo tem que ter uma moto mais lenta, como era no caso do Rossi com Colin Edwards. Como sou ducatista, fui tomado de ódio pela situação. Estava pulando que nem um macaco com o duplo pódium e sou surpreendido pela manobra idiota do Iannone.

Iannone e Dovi
Iannone e Dovi

 

Então foi isso, Lorenzo ZERO pontos, Marc Marquez na ponta, Rossi de vice. depois do Qatar, ninguém esperava isso. Estou agora curioso sobre como a Ducati Corse vai resolver esta agressividade do Iannone, para falar o mínimo. O Dovi é ex-campeão do mundo de 125, fez e faz muito pela equipe merece respeito da Ducati Corse. Paolo Ciabatti tem que chegar e estabelecer que o Andrea Dovizioso é primeiro piloto até o último dia de contrato dele, e que o Crazy Joe tem que segurar e proteger. Hoje mesmo, Dovi levantou e empurrou a moto até levar a bandeirada em décimo terceiro e pegar estes pontos. Grande Dovi.

Abraços

Mário Barreto

Entrevista Renatinho – RS Designs

Mandei uma mensagem para vários amigos aqui do Rio de Janeiro com a idéia de estrear no Motozoo® uma série de entrevistas. São amigos que com a sua história formam a comunidade de motociclismo da cidade.  São pilotos, viajantes, profissionais, mecânicos. Motociclistas, gente que todo mundo conhece, mas as vezes não conhece a história totalmente. 

O primeiro a responder, também o primeiro a ser consultado, foi o Renato Silveira, o famoso Renatinho que fez e faz pinturas maravilhosas em nossas motos. Vamos lá!

Renatinho, como começou a história com motos?
Meu pai comprou uma CG em 1982 e ali tudo começou. Em 1986 fiz a minha primeira corrida com essa CG num grid de 22 motos RX 125 e RDZs, cheguei em sexto lugar aqui no Autódromo de Jacarepaguá.
 Em 1987 fui campeão carioca com uma RDZ 125, era filiado ao Lagoa Barra Clube. Em 1988 fui para formula 125, mas tive que parar em função do casamento e das crianças.
 Em 2002 voltei, comprei uma CB500, para correr o Campeonato Brasileiro, foi tudo bem,estava reaprendendo a guiar. Mas logo em 2003 tive um acidente que me lembro, foi em Brasilia na curva da Bruxa!! Quebrei a clavícula em quatro partes, operei lá mesmo e fiquei parado três meses sem trabalhar.
E seu pai era motociclista?
Não, meu pai não era motociclista!
Ser motociclista modificou sua vida social, seus amigos, o relacionamento com as meninas
Sim! Abriu um leque para as meninas, mas meu foco eram as corridas!! Cada sinal era uma largada, pro carona era inconcebível, rsrsrs..!!
Tanque Suzuki
Tanque Suzuki
Tanque Aprilia
Tanque Aprilia
Como começou o seu envolvimento com a pintura, qual foi o início ?
O negócio de pintura começou em 1989 quando eu trabalhava na EGO Agrale, hoje Autorizada Suzuki. E, na realidade a idéia não era exatamente esta!
 Eu queria pintar Biluz, abajur biluz.  Eu tinha um amigo que tinha uma fábrica de lustres e estava existindo muito refugo de material que ia pra cerâmica, e acabava com defeito.
Acabou que na realidade nunca pintei um biluz, rsrsrs!!
 E era muito inquieto e queria fazer mais do que fazia entende, e sou assim até hoje.
Lembro-me que estávamos vivendo um período muito bom para o motocross, a EGO tinha uma equipe chamada EGO IPIRANGA. Isso foi na época do BIKE SHOW do João Mendes, lembra?
Aí comecei pintando capacete dos clientes ali na loja, ou seja, quando chegava em casa eu pintava até a madruga
Você é um “craque”, com o seu trabalho você se colocou muito bem no mercado, que é disputado e tem uma boa concorrência. Como você aprendeu a pintar?
Cara, na realidade foi algo que aconteceu e pronto, tive muita sorte, pois tudo que fazia tinha bom resultado, como até hoje, isso é altamente motivador.
 Mas eu queria mencionar uma historia de família muito bacana, onde mostra que eu posso ter herdado o talento para pinturas.
O meu Bisavô foi um grande pintor de carros a partir da década de 1950, trabalhava em uma revenda Ford chamada Wilson King na Bento Lisboa no Catete e que depois virou uma revenda Volkswagen.
Ele pintava o carro do Presidente Getúlio Vargas e de Deputados. Era o único que conseguia igualar as cores dos carros importados na época, lógico que ele era melhor do que eu claro, pois hoje temos muito mais recursos.
Depois do início pintando altas horas da noite, a RS Designs cresceu, como foi isso?
No inicio eu chegava do trabalho e pintava, num quarto que posteriormente passou a ser o quarto dos meus filhos. Depois eu fui trabalhar na área de serviços e logo em seguida passei para o quintal de casa, onde decidi fazer o meu Atelier de pintura, onde trabalho até hoje, no Bairro de Anchieta no Rio de Janeiro.
Qual é “O segredo das Cores”, dos “Reparos Mágicos” ?
Bem, quando comecei fiz um curso de Colorista de uma semana em Guarulhos, São Paulo, na fábrica da Dupont do Brasil. Acho que isso me deu uma boa base e até hoje uso os ensinamentos.
Cada situação requer um procedimento, não tem uma regra.
Mas basicamente as peças chegam e eu lavo, descontamino e começo a preparar. Primeiro os rachados depois os arranhados, base, pintura verniz e polimento.
Você tem alguma preferência de estilo para o seu trabalho?
Não tenho preferência por estilo, faço desde CG a MV Agusta, o foco está no desafio, isso é o que me motiva.
Seu trabalho de design é incrível, você teve formação artística?
Não tenho formação acadêmica, uso o bom senso e meu sentimento, mas estou atento a história da arte e seus protagonistas, inclusive na arte contemporânea.  Aprecio as obras de Cildo Meireles, Adriana Varejão, Romero Britto. Estou atento ao “exercício experimental da liberdade”, como articulado por Mário Pedrosa, ao diálogo com a Teoria do não-objeto de Ferreira Gullar e gosto de Hélio Oiticica e Lygia Clark.
E qual é  o diferencial que o faz ser escolhido?  Pintar no Renatinho é uma grife…
Na realidade os clientes que me procuram, estão em busca de um resgate na originalidade ou uma excelência de qualidade, que desde sempre é o meu forte.
Algum trabalho em especial merece menção?
Sim, os capacetes do meu filho Renato Junior, Bi-Campeão Brasileiro de Kart com mais de 15 títulos entre estaduais, regionais e Brasileiros, http://www.renatosilveirajr.com/
Nas milhares de motos que você pintou, alguma que tenha deixado uma lembrança especial?
Tenho saudades de todas, mas tenho um carinho especial por uma Suzuki GT250 vermelha com cano Torbal. Desmontei e pintei ela toda, que fui buscar ela em Copacabana. Estava num estacionamento de um prédio toda quebrada, mas fiz ela toda, foi uma história boa!!
Como é hoje a relação com as motos?
Não posso ter motos, tira o meu foco das pinturas, prefiro ficar longe do perigo, sou muito impetuoso, pra mim é tudo ou nada, rsrsrsr..!!
E como estão os trabalhos?

Atendo as revendas autorizadas e multimarcas que me procuram e os clientes por indicação. Gosto muito também de pintar capacetes,  onde converso com o cliente, faço um layout, mediante aprovação e executo o trabalho. É o suficiente para seguir em frente.

Planos para o futuro?

Pintar 25 horas por dia, rsrsrs..!!

MotoGP – Qatar

E finalmente começou o MotoGP 2016!

Marcamos de assistir juntos e torcer pela Ducati, que vinha de bons treinos. Mas no final, acabou rolando um repeteco do que sempre acontece. Os “Aliens” na ponta e as motos de fábrica dominando.

Para este ano temos grandes novidades no regulamento e nas motos. Todos com pneus Michelin, todos com ECU Magneti Marelli, todos com protótipos, acabaram as Open, todos com mais gasolina no tanque.

Vamos comentar rapidamente e por partes. Primeiro os pneus. Os novos Michelin andaram dando uns sustos. Os Bridgestones que saíram estavam em um nível muito alto de performance e todos estavam apreensivos com a qualidade dos novos pneus. Podem esquecer. Lorenzo fechou a prova mais rápido do que o ano passado e ainda pulverizou o recorde do Casey Stoner. Não precisa falar mais nada. A Michelin foi melhorando os pneus durante os treinos e o que se viu foi que duraram bem a prova inteira. As melhores voltas do Lorenzo foram as últimas. Mas os pneus não são iguais aos antigos. O Michelin traseiro é melhor do que o da Bridgestone mas o dianteiro é ainda considerado um pouco pior. O japonês era adorado principalmente pela Honda e Marc Marquez. Os novos pneus favorecem a Yamaha e ao estilo do Lorenzo.

A ECU nova também favorece a Yamaha e Ducati. A Honda, cheia de segredos com a sua caixa de marchas super rápida ZeroShift e com o seus dados do torsiômetro, é a que tem muito menos experiência com a ECU italiana. A Ducati, em contraste, sabe tudo dela. Tanto que a Honda treinou sofrendo, mas, como sempre, tem grana para contratar e colocar um monte de gente boa futucando os settings e na hora da corrida, apresentou-se rápida.

Sobre as motos começamos o ano com uma Yamaha MUITO acertada e com a folga de ter mais 2 litros de gasolina. Sem muitas mudanças, a Yamaha 2016 está testando e usando asinhas aerodinâmicas e talvez a maior diferença seja a posição do tanque de gasolina. É a moto a ser batida.

Marquez no Qatar
Marquez no Qatar

A Honda continua com os problemas do ano passado. Um motor excepcionalmente forte e intratável. Precisa de uma eletrônica dominadora. Justo o que a Honda tem menos experiência, a nova ECU. Estão usando o chassi 2015 porque o 2016 virou mais lento. Marc Marquez e muito habilidoso e arranca desempenho na marra, mas Pedrosa precisa de uma moto certinha para andar.

Dovi no Qatar
Dovi no Qatar

A Ducati melhorou um pouco mais a GP15 e a nova Desmosedici GP parece ser uma moto muito boa. É quase unanimidade no padock que o que a Ducati precisa agora é de um alien para tocar a moto. A moto estaria pronta para ganhar, mas Dovi e Ianonne não seriam os pilotos. Stoner seria, mas não quer correr. Dizem então que a Ducati Marlboro irá fazer uma oferta milionária para Jorge Lorenzo.

A Suzuki treinou muito bem e Maverick Viñales está surrando o Aleix Espargaró. Esperava mais dela na corrida e o que se viu foi uma melhora, mas ainda não está dando. A moto tem potência mas reclamam da falta de aceleração.

A Aprilia esta com o desenvolvimento muito atrasado, a moto parece gorda, RS-GP é o nome dela. Tem que gramar muito.

E depois de tanta expectativa a corrida foi relativamente tranquila. Confirmou a boa forma da Yamaha e do Lorenzo. Ele é um dos pilotos mais chatos de olhar correndo, pois é suave, quase não se mexe na moto, pouco espetáculo. Quem diria que ele fez suas voltas mais rápidas e bateu recorde ali no finalzinho? Não dá para ver, é muito preciso. Largou bem, levou um pau das Ducati’s na reta mas sempre soube que tinha mais moto no miolo. E mesmo assim tinha mais moto de reta do que o Marc Marquez. Quando passou as Ducati’s, baixou a cabeça e fez o que faz sempre. Sequencia infinita de voltas rápidas e sem erros, que esgotam os concorrentes.

Atrás as Ducati’s vieram brigando entre si de maneira idiota. Ianonne é meio lambão, quase jogou o Dovi no chão, só para depois levar um estabaco sozinho. E perigoso, quase levou mais uns com ele. Foi o Ianonne de sempre, rápido e cai cai. Um Crutchlow, que também estabacou-se. Dovi é um excelente piloto, ex-campeão do mundo de 125, rápido, bom de informações, mas falta uma faca nos dentes.

Marc Marquez veio brigando com a moto. Não dava nem para o cheiro na reta contra as Ducati’s. E nem nas curvas. Mas o moleque é muito talentoso e as 2 ou 3 voltas que deu quando cismou de passar o Dovi foram um show de malabarismos. Vinha todo torto e balançando, obrigando a moto na força bruta. Tanto que não deu, Dovi devolveu a passagem e chegou na frente dele.

Rossi, mesmo chegando em quarto, e sendo o vencedor da corrida no ano passado, fez uma corrida razoável. Conseguiu seguir o pelotão dianteiro, mas nunca teve desempenho para passar.

Pedrosa fez o que pode, ele só anda com moto certinha e a RCV está longe disso. Vinãles decepcionou chegando em sexto, mesmo chegando bem mais perto da ponta do que o ano passado. Mas ele largou de terceiro, vinha apavorando nos treinos, eu esperava mais.

Foi bom, as motos parecem estar mais perto umas das outras. Tomara que Honda e Yamaha não se distanciem como nos outros anos, que a Suzuki apresente nas provas o que apresentou nos treinos. Que Dovi se anime e que Casey Stoner finalmente dispute uma prova.

Todas as fotos são do CormacGP, muito boas.

Abraços

Mário Barreto.

Para a fauna do Motociclismo

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