Já escrevi aqui algumas vezes que o MotoGP parece ter uma equipe de roteiristas com vários Oscars para que determinados momentos se tornem inesquecíveis.
Finalmente, após 56 corridas, Pedro Acosta se tornou um vencedor no MotoGP. Pela KTM, na casa da KTM, na última oportunidade que teria para fazê-lo antes de mudar para a Ducati. Acosta esperou muito mais do que pilotos piores ou no máximo iguais em talento ao Tubarão. A KTM não era boa o suficiente e a sorte também não o ajudou.
Sorte é imprescindível: basta lembrar que Brad Binder venceu em sua terceira corrida, dando a primeira vitória para a KTM em Brno, 2020. Sorte teve um peso decisivo naquela corrida. A 2a vitória do Brad, desta vez na pista de casa na Áustria, veio em função de sorte e ousadia, quando ele permaneceu de slicks enquanto todos os outros pilotos trocaram por pneus de chuva. Uma volta a mais e ele não seria nem Top10. Sorte.
A vitória do Acosta ontem foi de puro talento. Uma vitória tensa, dado que ele caiu de bobeira liderando a sprint de sábado. O box e a equipe só comemoraram quando ele recebeu a bandeirada, o que é o correto. Afinal, como disse Fangio, “carreras son carreras”. Eu tenho certeza que o tombo de sábado será marcante na carreira do Tubarão, pois ele se tornará mais preciso e focado. O fato dele ter debochado de si mesmo na volta de comemoração, tombando sua RC16 onde caíra na véspera, é uma prova de força mental que vai incomodar seus adversários.
Com essa vitória, encerrando um jejum de quase 4 anos para a KTM, Acosta retribui o carinho e a confiança que sempre recebeu da marca, que o acompanhou nos títulos da Copa de Rookies (2020), da Moto3 (2021) e da Moto2 (2023). Acosta só saiu da KTM para lutar com as melhores armas pelo título da MotoGP, mas a empresa confia tanto nele que o colocou como responsável por desenvolver a moto do ano que vem. É um caso inédito.
Martin sai de Spielberg como o grande vencedor do fim de semana. Venceu a sprint correndo como campeão, saindo de 7° para 2° com voltas impecáveis (além da sorte de herdar a vitória), e soube administrar o segundo lugar no domingo. Em nenhum momento deu chances para Bez e Ogura e vai para o Japão com 12 pontos de vantagem e a liderança dentro do box da Aprilia.
Ogura voltou muito bem depois de uma ausência de duas corridas que foi um golpe nas suas pretensões de título. Dois quartos lugares que serão uma grande motivação para a sua corrida de casa. Bez foi discreto, mas eficiente, tirando de Spielberg dois terceiros lugares. A questão é que o crescimento do Martinator o apequenou dentro da equipe. Ele precisa reagir o quanto antes. Raul Fernandez passou em branco. Não encontrou aderência em nenhum momento. Foi estranho.
Na semana passada eu escrevi que o pneu traseiro de carcaça dura poderia atrapalhar a Ducati. E assim foi. É um pneu que tem menos aderência lateral e prejudica as motos de Bolonha na aceleração de saída de curva. Em um circuito stop and go, onde as acelerações após as curvas 1, 2B e 3 são fundamentais para fazer tempo, todos foram mal. Marc ainda teve que lidar com problemas no freio enquanto a moto estava com o tanque cheio. Nas voltas finais andava no ritmo das Aprilias, mas estava 4s atrás do Ogura. Durante a entrega da medalha de prata da sprint era visível a sua insatisfação. De qualquer maneira conseguiu 20 pontos em um final de semana ruim, como provavelmente será Mandalika, na Indonesia. Será preciso fazer o melhor possivel em Motegi e Phillip Island para ir compensando os maus resultados.
Diggia e Alex Marquez também não se entenderam com os Michelin casca grossa. O primeiro sequer pontuou na sprint e foi a pior Ducati no domingo (9°, Morbidelli não conta). Alex caiu varias vezes no final de semana e o melhor que conseguiu foi um 5° na sprint. Quem surpreendeu foi o Bagnaia, que fez 6° no sábado e liderou um trio de Ducatis no domingo, chegando em 7°. Foi um alento. Veremos se ele se reencontra com a moto em Motegi. Aldeguer, que foi 2° ano passado, fez dois oitavos, sem conseguir tirar o melhor da sua Gresini.
Binder foi outro a ressurgir, marcando pontos nas duas corridas. Bem longe do desempenho do seu companheiro de equipe, mas pelo menos andando melhor que o Bastianini.
As Hondas dependeram do Zarco (7° e 10°), pois tanto Marini quanto Moreira andaram mal. Chegaram atrás do Nakagami no domingo, o que é meio desmoralizante. Certamente isso nao afetará a decisão do HRC, que deve confirmar Moreira ao lado de Quartararo na sua corrida de casa, em duas semanas.
As Yamahas chegaram a ter um pequeno brilho na 6a-feira, com El Diablo indo direto para o Q2. Nas corridas andaram muito mal. O francês ainds conseguiu um 12° no sábado, mas no domingo chegaram nos últimos 4 lugares (Morbidelli não conta). Miller teve que mudar o mapa tantas vezes que no final estava rodando “no tempo das baggers”. Triste.
Baggers que coroaram seu primeiro campeão: o australiano de 20 anos Archie McDonald, companheiro de equipe do Granado..Eric viu suas chances de vencer o campeonato irem para o saco ao ser derrubado pelo Iannone na primeira corrida. Pelo menos venceu a segunda, mas segue sua saga de ver pilotos mais lentos vencerem campeonatos em que ele chega em 2° ou 3° mesmo tendo mais poles e vitórias. Na minha opinião ele tinha que procurar uma boa vaga no WorldSSP. Esses campeonatos secundários, MotoE, Baggers, não dão a devida visibilidade, mas… quem sou eu?
Moto2 teve uma boa corrida em que o Guevara voltou a vencer para dar mais emoção ao campeonato. Se o Manu Gonzalez perder mais esse…
Já na Moto3 a disputa continua entre Almansa e Quiles. Almansa caiu, Quiles venceu pela 9a vez no ano e pode ser campeão no Japão ou na Indonesia (mais provavel).
Duas semanas de descanso para uma corrida decisiva em Motegi com mais um player entrando forte na disputa. Acosta gosta da pista, que também.é boa para a Aprilia. É um daqueles circuitos em que nâo há favoritos, portanto a vitória se torna mais importante.
Até lá!




