Aposta Suicida

O momento mais importante deste campeonato aconteceu na sprint de Phillip Island. Antes da largada, tudo que o diretor da Aprilia, Paolo Bonora, queria era comedimento e racionalidade. Martin entregou precipitação e impulsividade: caiu e quebrou o braço direito junto ao pulso. Para sua sorte não houve a corrida no domingo e Marc Marquez perdeu a oportunidade de aumentar a vantagem no campeonato para 26 pontos ou mais. Era o caso de ir para Madrid e tentar se recuperar para o GP do Qatar, se houver, ou Portugal. Seriam 2 semanas até Losail e 4 semanas até Portimão.

A ideia de tentar competir em Sepang era totalmente insensata. São três freadas fortíssimas por volta, inúmeras trocas de direção, um calor úmido que destrói até pilotos no auge da forma, e o previsível abandono comprometeu o próximo fim de semana. Perdeu-se uma semana de tratamento intenso e não vejo como o Martinator possa disputar este título.

A cena mais emblemática deste fim de semana, foi o close da expressão do Massimo Rivola assim que Bezzecchi errou a penúltima curva da última volta e perdeu o 5° lugar para o Bastianini. A Aprilia fez a melhor moto do ano, tem dois pilotos capazes de vencer corridas (mais os dois da Trackhouse), está disputando contra um Marc Marquez que está longe da sua melhor forma física, e é capaz de perder até o mundial de construtores. É uma decepção enorme para a fábrica de Noale.

Meu amigo Mario citou o Dovizioso em sua coluna. Ele é fã do italiano, eu o acho mediano. A Ducati teve a melhor moto do grid em 2017 e 2018 e perdeu os títulos para o Formiga. Hoje eles estão na posição inversa e pode ser que conquistem títulos com a segunda melhor moto porque têm o Formiga do seu lado. Se Marc está longe da melhor forma física, certamente está no auge da sua forma mental.

Deu carona conscientemente para o Acosta nas duas melhores voltas do Q2, botando o Tubarão à frente das Aprilias. Correu a sprint chove não chove usando a cabeça, sem arriscar um tombo pelos três pontos extras da medalha de ouro. Poupou-se no warm-up, embora tenha sido o mais rápido, e impôs seu ritmo na corrida, chegando 4 segundos à frente quando tinha ritmo para 8 ou 10. Está com uma mão na taça e foco total no resultado. Ele corre um degrau acima.

A sprint teve três momentos dignos de nota: a agressividade do Ogura para cima do heptacampeão, o tombo do Alex, a obediência do japonês ao entregar o 3° ao Bez. Desde Barcelona Alex Marquez tem corrido com fortes dores no ombro direito e o tombo de sábado, que não teve nada a ver com asfalto molhado, agravou o problema: ele terminou a corrida acabado fisicamente. Partiu ontem mesmo para se operar em Madrid com a intenção de voltar em Portimão, em 3 semanas.

A Aprilia corria com apenas duas motos, após as desistências de Raul e Jorge, e o objetivo era que o Marco roubasse pontos do líder. Não chegaram nem perto. Losail também não é uma pista particularmente boa para a marca, portanto, se a corrida acontecer, a possibilidade do MM obter seu 8° título é palpável. Se no sábado o japonês cedeu gentilmente a medalha de bronze, no domingo ele se conformou até ver que Bezzecchi estava lento demais e que o pódio era uma possibilidade. Houve até um choque entre as duas GP-RS na transição da curva 1 para a 2 que custou ao Ogura uma parte do kit aerodinâmico. Ainda assim acabou a menos de 1 segundo do Alex e vinha rodando melhor que os 2° e 3° colocados. Foi o caso de pensar “e se” tivesse ultrapassado o italiano uma ou duas voltas antes, e acho que ele vai se tornar um pouco mais egoísta nos últimos três GPs.

Diogo Moreira fez duas boas corridas, chegando em 8° na sprint e caindo quando estava tentando o 9°. Foi uma pena porque Zarco teve problemas, deixando a LCR sem nenhum ponto no domingo. Moreira poderia ter sido 8°. Ainda no campo da Honda, Mir se apresentou até bem mas não teve condições fisicas de concluir a corrida. Marini, passando quase desapercebido, obteve um ótimo 7°, 66 centésimos à frente do Diggia. Um nada de vantagem que lhe deu 9 pontos: ele é a melhor Honda na tabela por larga margem.

Gresini contra VR46 é uma das brigas mais intensas do campeonato de equipes, na disputa pelo 5° lugar. A equipe da Nadia Padovani está apenas 3 pontos à frente (333 x 330). Na VR46 Diggia perdeu um pouco o rumo, enquanto Morbidelli deu uma acordada, fazendo um decente 10°.

Bagnaia? Só saberemos em 2027. Não me parece que ele esteja preocupado em marcar pontos para a equipe. Eu não gosto de achismos, mas um irlandês disse algo que me chamou a atenção: “em vez de perder de pouco, é melhor perder de muito e deixar que as pessoas atribuam a derrota ao que lhes convier”. Alex e Diggia o superam constantemente, mas chegar 8s atrás do Morbidelli, atrás de 2 Yamahas e a 33s do vencedor. É duro…

Acosta continua motivando a KTM a se superar. Sai de Sepang com 32 pontos no bolso e só perdeu 2 pontos para o MM. Bastianini está pegando a mão da moto e já é 10° no campeonato. Ano que vem, de Aprilia, ele vai andar na frente constantemente. Binder segue fazendo o arroz com feijão, já pensando na BMW, e Viñales conseguiu 2 pontinhos.

A Yamaha deu uma “prova de coragem” e desafiou a Liberty, comunicando que não irá ao Qatar. Na minha opinião é fácil ser corajoso quando se tem a pior moto do grid, está em último no campeonato de construtores e suas equipes são as piores colocadas em seu campeonato. Eu queria ver a mesma coragem se estivessem liderando ou mesmo disputando o campeonato…

Na Moto3, Maximo Quiles venceu mais uma, a 11a do ano. O vilão do dia foi o Alvaro Carpe, que chegou menos de 3 décimos à frente do piloto local, Hakim Danish, roubando-lhe um lugar no pódio para tristeza da torcida.

Na Moto2, dobradinha da Aspar, Alonso à frente do Holgado. com Piqueras completando o pódio. Guevara chegou em 4°, 8s à frente do Gonzalez e a diferença entre eles diminuiu para 3,5 pontos.

Agora teremos Qatar e eu gostaria de ver o Martin em condições de competir, mas acho difícil

Até lá!

Pai orgulhoso do João e da Nanda, botafoguense, motociclista e cabalista. 15 anos como CIO e membro do Board de empresas multinacionais, participando no desenho e implantação de processos de logística, marketing, vendas e relacionamento com clientes e canais de vendas, inclusive por dispositivos móveis; Morou anos em Londres, é Fluente em Inglês e Espanhol, com conhecimentos avançados (leitura) e intermediário de Francês e Italiano; Possui cidadanias brasileira e francesa.

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