Triste Vitória da Liberty

Foi uma despedida melancólica da icônica pista de Phillip Island. Eu assisti a inúmeras corridas épicas na Australia. Tão boas como foi a sprint, provavelmente a melhor do ano até a queda do Martin.

Venceu a Liberty, por dois motivos. O primeiro é que a maior parte dos fãs estava inconformada com a substituição de Phillip Island por Adelaide, e as dificuldades causadas pelo clima acabaram por cancelar toda a programação de domingo. Isso foi péssimo para o público, os patrocinadores, as equipes, mas demonstrou, na prática, porque o circuito é problemático. Há 3 anos tiveram que disputar a corrida principal no sábado porque havia previsão de péssimo tempo no domingo, e, de fato, apenas a corrida de Moto3 aconteceu como previsto. A Moto2 foi interrompida na 9a volta e não houve condições de disputarem a sprint. Já se sabia da previsão de chuva neste dia 25 há pelo menos 2 semanas, mas os organizadores não fizeram o mesmo que em 2023, porque não se esperava uma chuva ingerenciável. Na verdade, as corridas não aconteceram porque a neblina tanto na ilha como em Melbourne não permitia o uso do helicóptero de emergência, que seria necessário em caso de um acidente mais grave. Ir por terra levaria cerca de uma hora para chegar ao hospital, o que era um risco inaceitável. Enfim: adeus Phillip Island e, quem sabe, teremos corrida em Adelaide em 2027. Há vários entraves políticos com uma oposição ferrenha ao corte de árvores que será necessário para criar o circuito. Esta semana haverá uma reunião para esclarecer essas questões.

A segunda vitória da Liberty foi manter a diferença entre 1° e 2° colocados no campeonato dentro de uma margem competitiva. Martin não poderia correr e Marc Marquez tinha todas as condições para chegar ao pódio e ampliar sua vantagem de 10 pontos para algo entre 26 e 35. Com Bezzecchi atualmente a 50 pontos, a disputa do campeonato ficaria muito favorável ao atual heptacampeão. Diz Martin que estará pronto para correr em Sepang, pelo menos para minimizar a perda de pontos, mas correr com uma fratura no pulso direito será uma decisão arriscada.

O sábado de manhã foi disputado com pista molhada. Nessas condições há três pilotos que sempre se destacam: Zarco, Miller e Marc Marquez, e os dois primeiros lideraram o Q1. Para o Q2 os pilotos viveram um dilema: a pista estava secando, então os pneus de chuva médios seriam mais rápidos, mas logo que o Q2 começou a chuva voltou a cair, portanto os pneus de chuva macios eram mais adequados. Nesse chove e para quem deu sorte de estar com o pneu certo conseguiu disputar o 2° lugar.

O favorito para a pole saiu à frente de todos mas caiu na curva 4 da sua primeira volta. Para a sua sorte a bandeira amarela invalidou a volta de todos que vinham logo atrás, então Marc conseguiu voltar para os boxes e pegar a moto reserva, para desespero do Tardozzi, que temia que a chuva apertasse enquanto ele ainda não tinha marcado tempo. A primeira volta rápida já foi suficiente para a pole, mas a segunda foi daquelas para entrar na história: 1s494 melhor que a do irmão, em 2°. Foi a maior diferença do pole para o segundo desde o GP da República Tcheca de 2019, quando MM botou 2s524 no Miller e 2s598 no Zarco (3°). Pista molhada, vejam os mesmos especialistas aí.

A corrida foi em pista úmida, sem chuva, e Martin pulou logo do 4° para o 2° lugar. Alex Marquez, Zarco e Acosta ficaram trocando posições por algumas voltas. dando um espaço para os dois primeiros. Martin estava com uma moto mais equilibrada e veloz nas últimas duas curvas antes da reta e passou o Formiga algumas vezes na curva 1. Marquez buscava o contra-ataque imediato, para evitar que o Martinator tivesse pista livre por muito tempo. Era a disputa do campeonato acontecendo ali, volta a volta. Sensacional.

Era visível, no entanto, que Martin estava arriscando tudo. Quase caiu na curva 4. salvando uma saída de frente com o joelho e o cotovelo. Alongou-se duas vezes na curva 2 e outras duas na curva 4, ocasiões em que o Formiga retomou a ponta. Até que aconteceu aquilo que o Paolo Bonora, team director da Aprilia, tinha declarado antes da corrida que não poderia acontecer: perder muitos pontos por arriscar demais. Chegar em 2° na sprint representaria estar 1 ponto atrás no campeonato e pronto para continuar na disputa. A queda significou uma desvantagem de 10 pontos e o risco de estar fora da corrida e do proximo fim de semana em Sepang. Faltou paciência ao Martinator, que deve ter apelado para o Cacique Cobra Coral que mandou aquela serração pra ilha e impediu que Marc Marquez disparasse. Ou não… MM poderia cair no domingo e ficar fora em Sepang, nunca se sabe. O que sabemos é que só acaba quando termina.

Para a Moto3 não fez nenhuma diferença já que o campeonato já está decidido, mas Joel Kelso largava bem e podia conseguir um pódio em casa. Situação similar à de Senna Agius, que tinha ritmo parar tentar um pódio ou vitória na Moto2. Manu Gonzalez largaria na pole, mas ele não é exatamente bom na chuva.

De todos os pilotos eu senti mais pelo Miller. Chovendo, correndo em casa, com uma pintura especial que a Pramac lhe deu de presente, última oportunidade de correr de MotoGP em casa… lembrando que, como na sua primeira vitória em Assen, em 2016, ele estava como franco-atirador, enquanto Marc disputa o campeonato. Acho que seria um corridaço entre Miller e Zarco e fomos privados disso. Que pena!

Voltando ao sábado, a Ducati levou as 3 medalhas pra casa e encostou na Aprilia: está a 6 pontos. Bagnaia encostou depois de 2 voltas e não quis dizer o motivo. Bez largou mal e fez uma boa corrida de recuperação chegando em 4°, mas sem fôlego para ameaçar o Diggia. Acosta começou bem, mas perdeu desempenho chegando isolado em 5°. Binder arrancou um belo 6° na força do motor, chegando 3 décimos à frente do Miller. Ogura, que não conseguiu fazer NADA no molhado, chegou em 8°, mas foi punido em 8s por estar com o pneu dianteiro abaixo da pressão. Diogo Moreira arrancou um 9°, ultrapassando o Lecuona no final da última volta. Foi promovido a 8°, ultrapassou o Quartararo no campeonato (é o 14 °, 76×74), e Lecuona ganhou seu pontinho, substituindo bem ao Aldeguer. Quartararo, Bastianini e Rins chegaram embolados, nessa ordem. Raul Fernandez abandonou por causa da contusão ocorrida na sprint de Mandalika. É meio estranho porque ele chegou em 2° lá no domingo e teve duas semanas para se recuperar. É fato que ele levou um tombo na 6a e isso deve ter agravado a situação. Zarco e Viñales também ficaram pelo caminho. Frustração para o francês, que estava competitivo. Maverick parece ter encontrado uma alternativa para a sua carreira: ser piloto de teste da Ducati, juto com Pirro. Acho bom para ambas as partes.

Mais alguns dias: Sepang.
“The plot thickens…”
Mais uma decisão.
Até lá!

Pai orgulhoso do João e da Nanda, botafoguense, motociclista e cabalista. 15 anos como CIO e membro do Board de empresas multinacionais, participando no desenho e implantação de processos de logística, marketing, vendas e relacionamento com clientes e canais de vendas, inclusive por dispositivos móveis; Morou anos em Londres, é Fluente em Inglês e Espanhol, com conhecimentos avançados (leitura) e intermediário de Francês e Italiano; Possui cidadanias brasileira e francesa.

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