O piloto carioca Victor Braga estava em Daytona mais uma vez. Pedi para ele escrever uma matéria, mas ele não se animou. Roubarei no jogo e transformarei nossas mensagens em um post aqui do Motozoo®.
“Não tenho matéria. Tenho poucas fotos (nunca fui muito ligado nisso). Agora em 2026 somam 40 anos consecutivos. (menos 2021 porque o país fechou por causa da pandemia). Até em 2020, quando foi interrompida, já na fase de classificatórias, por causa da pandemia também, eu estava lá. Vi as motos voltando na contramão da pista, daí vieram com uma conversa que tinha dado problema nos computadores que liam os transponders das motos. Disseram que levaria uma hora pra arrumar, em seguida veio a informação do cancelamento.”
“Vi corrida aos domingos (no começo, 1986, o Daytona 200/100, e a 250 com motos de GP era feita junto com o Supercross). A pista era feita na frente dos box na sexta a noite depois dos treinos da velocidade, que começavam na quarta feira, corria o Supercross nos sábados o dia inteiro com dezenas de baterias. Domingo de manhã incrívelmente não tinha mais nem vestígio da pista. Depois passaram para o sábado as corridas da Daytona 200, e as do Supercross passaram para final de semana anterior (bola fora, pois quem vai no Supercross não volta pra ver as 200 milhas). Já vi na sexta à noite também, com pista iluminada. Tentaram fazer por 1 ou 2 anos eu acho. “
“Nesses 40 anos devo ter visto Nick Hayden, Ben Spies andando de fraldas nos box. Vi Freddie Spencer, Edie Lawson, Kevin Schwantz, Waney Raney, Nick Hayden, Ben Spies, Robert Jr. correndo lá e depois ganharem nos mundiais. É muita história, tinha que arrumar uma Lei Rouanet igual o João Mendes para escrever um livro.”
Depois, trocando mensagens sobre o pódio da Kayla Yaakov, Victor Cabeção Braga escreveu:
“A chegada em Daytona costuma ser mortal. Das 40 corridas que eu assisti, foram poucas, muito poucas mesmos, que não decidiram posições no fotochart. Na última volta, o bonde sai de uma chicane e pega uma reta torta com inclinação até a bandeirada. Quem vem na frente dá o vácuo, e quem sabe usar a seu favor passa a bandeirada na frente. É praticamente impossível defender a posição. A prova de Daytona 200 é disputada em uma pista única. Todo piloto que se preza deveria ter uma prova desta no currículo, mesmo como participante. É uma maratona motociclista, onde vários fatores contribuem para o sucesso. É como correr uma maratona na elite mundial. Existe os corredores da elite que disputam o prêmio da vitória (esse ano $250.000 e 2 Rolex Daytona, pole e vencedor), com equipes fortíssimas e estruturadas. Antes da grande crise americana, todas as fábricas participavam, e os guerreiros que vão para receber a quadriculada e fazer suas corridas particulares. O cronômetro pré-corrida e sua estrutura de equipe e financeira já determinam sua ambição. A possibilidade de acontecer um milagre é remotíssima. É um circuito oval com inclinações de 33° e retas longas, com um pequeno miolo e chicanes pra diminuir a velocidade. Uma 600cc atinge quase 300 Km/h. Coisa de americano, 1.5 milhas de mão no fundo. Pista de Horsepower como dizem os nativos. “
“O fato de ter uma jovem disputando a ponta não me surpreende, na América e comum meninas serem criadas como meninos, começando muito cedo nos esportes radicais. Felizmente o motociclismo não é um esporte onde a força física é determinante. Cada corrida para mim é única. Só pra citar alguns, já vi: Spencer, Lawson, Schwantz, Rainey, Hayden, Spies e etc ganharem o Daytona 200 ao vivo.”
É isso aí Cabeção, 40 anos é uma vida de dedicação ao evento. Complicou e muito a vida de quem um dia quiser quebrar este recorde. Boa viagem de volta.


