E hoje o Caralivro me mostrou um artigo usando uma foto errada. É raro mas acontece muito. O artigo falava sobre o motor Ducati Bipantah, mas mostrava outro motor. Isso é básico, mas muito provavelmente o post foi criado por IA, e ela não foi capaz de identificar o erro, grosseiro. Uma simples olhada de um átimo de segundo seria suficiente para perceber.
Agora é assim… outro dia eu testei um programa de computador, recuso-me a ficar chamando os programas de IA, que fez o seguinte: analisou o www.motozoo.com.br, baseado no conteúdo identificou o público alvo, baseado no público identificou o que este público gostaria de ler e finalmente prontificou-se a escrever os artigos sozinho. É isso, hoje em dia 70% do que se vê na internet é criado pelos próprios algoritmos.
E o que foi o Ducati Bipantah?
O motor Ducati Bipantah foi um protótipo de quatro tempos e 90° em V4, desenvolvido pela Ducati em 1981, projetado pelo engenheiro Pierluigi Mengoli sob a supervisão do lendário projetista Fabio Taglioni. Foi a visão de Taglioni para um motor de alto desempenho, essencialmente acoplando dois motores Pantah V-twin de 500 cc existentes em uma única unidade de 994 cc, com um diâmetro de 78 mm e um curso de 52 mm, refrigeração a ar/óleo, comandos de válvulas simples acionados por correia por bancada de cilindros e acionamento de válvulas desmodrômico com duas válvulas por cilindro.
Este design inovador visava posicionar a Ducati de forma competitiva num mercado de motocicletas em declínio no final da década de 1970 e início da década de 1980, quando a empresa pertencia ao Grupo VM e enfrentava dificuldades financeiras, com a produção a atingir mínimos históricos. Na sua configuração de rua padrão, fornecia 105 cavalos de potência a 9.500 rpm, com potencial para mais de 150 cv numa versão de corrida com injeção de combustível, oferecendo entrega de potência suave a partir de 3.000 rpm.
Apesar de seu potencial técnico — descrito por Taglioni como seu projeto de motor mais bem-sucedido a partir dos testes iniciais em dinamômetro — o Bipantah nunca entrou em produção, sendo cancelado no final de 1982 devido aos custos proibitivos de ferramental, ao baixo volume de vendas projetado em meio a uma mudança para motocicletas japonesas menores e ao foco da administração da VM na Ducati como fornecedora de motores para outras marcas, como a Cagiva, em vez da produção completa de veículos.
Como o segundo protótipo V4 na história da Ducati (seguindo a Apollo V4 de cerca de 1964, um projeto de 1.257 cc voltado para a polícia, produzindo 100 hp), destacou a afinidade de Taglioni ao longo da vida com o layout, originada de seu projeto de graduação de 1948, mas acabou dando lugar ao motor V-twin Desmoquattro, já desenvolvido por Massimo Bordi, que definiu o renascimento da Ducati na década de 1980.
Este motor Ducati Bipantah foi submetido a testes em dinamômetro em uma configuração de corrida dedicada como parte da avaliação do protótipo em 1981-1982, incorporando comandos de válvulas de competição mais agressivos, sincronização de válvulas otimizada e sistemas de escape abertos para maximizar o desempenho em altas rotações. Essa configuração proporcionava uma potência máxima de 132 cavalos a 11.000 rpm, embora a entrega de torque fosse mais limitada abaixo de 6.000 rpm em comparação com o potencial da faixa de potência mais ampla do motor.
Em comparação, a configuração básica voltada para a rua— com comandos de válvulas mais suaves e silenciadores mais flexíveis — produzia 105 cavalos de potência a 9.500 rpm, beneficiando-se de um torque robusto em baixas rotações a partir de 3.000 rpm na marcha mais alta, destacando a versatilidade do motor para adaptação. O engenheiro Fabio Taglioni idealizou melhorias adicionais, como injeção eletrônica de combustível para substituir os quatro carburadores Dell’Orto de 40 mm e um sistema de escapamento de competição completo, projetando mais de 150 cavalos de potência, mantendo o formato compacto do motor e a eficiência da refrigeração a ar.
Essas modificações visavam posicionar o V4 de 994 cc como um motor competitivo na categoria de um mil cc, antecipando projetos japoneses similares, como a Honda VF750. A vibração era insignificante em ambas as configurações devido aos intervalos de ignição uniformes do layout de 90° e ao virabrequim compartilhado com bielas duplas, mas o cancelamento abrupto do projeto pela VM Motori no final de 1982 impediu qualquer implementação em pista ou desenvolvimento adicional para corridas.
Então foi isso, e ao contrário do Apollo, que existe vivo em uma moto completa de um colecionador japonês, nunca vimos um Bipantah solto nas ruas!!!



