O leilão começou cedo e eu me junto ao pessoal que não gosta disso. O piloto que troca de equipe antes do início da temporada pode se considerar de férias pelo ano, por mais que piloto e equipe repitam o discurso que “vamos dar tudo para atingir o melhor resultado possível”.
Em primeiro lugar, há a dor de corno do abandonado. A situação do Martin nunca foi a mesma desde que ele declarou, ainda no primeiro semestre de 2025, que quería sair da Aprilia. Dizem que chegou a assinar um pre-contrato com a HRC, mas seus advogados deram pra trás e ele acabou queimado com a Honda e a Aprilia. Ele assinar com a Yamaha, como corre o boato, faz todo sentido, pois ele também é queimado com a KTM, a quem chutou pra assinar com a Pramac Ducati fazendo um uso pouco ético do atraso do início do campeonato de 2020 por causa da pandemia, e saiu da Ducati batendo a porta. Só sobrou a marca de Iwata.
O MotoGP propôs uma brincadeira no início da semana, pedindo que os assinantes dessem seu palpite sobre o grid de 2027. O meu está abaixo.
Foi feito na quarta-feira, com alguns boatos já circulando. Que o Quartararo assinaria com outra fábrica antes do GP da França eu já tinha previsto em uma coluna do ano passado. El Diablo está de saco cheio de correr para não ganhar e a HRC queria um piloto fora-de-série: é um bom casamento. O francês é um dos 3 pilotos mais rápidos do grid, a Honda está mostrando progresso significativo e tem muito, mas muito, dinheiro para voltar ao topo da categoria. A Yamaha está começando um projeto do zero e talvez até seja competitiva em 2027, mas estes anos de sofrimento causaram um desgaste visível entre Quartararo e o corpo técnico.
Marc Marquez vai se aposentar na Ducati e o pessol de Bolonha precisa de alguém para substituí-lo. Até dezembro eu apostaria no Aldeguer, mas uma fratura no fêmur aconteceu no pior momento possível: o primeiro semestre do espanhol ficou comprometido e o mercado quer se definir o quanto antes. Acosta quer andar de Ducati e já disse que topa qualquer negócio. A VR46 parecia ser uma opção, mas Valentino está insatisfeito com a Ducati e ameaça trocar de marca ao final do ano. A LeNovo parece ser o destino do Tubarão e será muito interessante ver o veterano e o prodígio na mesma equipe.
Não vejo opção melhor para o Bagnaia do que a Aprilia. Ele e Bez são grandes amigos e a moto parece ser perfeita para o estilo do Pecco. Na minha opinião o divórcio entre Ducati e Bagnaia começou na Sprint de Sepang em 2024. A queda na curva 9 que abriu caminho para o triunfo do Martin nunca foi bem digerida, pois a LeNovo não investe milhões para perder o campeonato para uma equipe satélite. Se a equipe oficial assinar com Acosta, restará ao Pecco trabalhar em sua autoconfiança para começar 2027 pronto para disputar o título.
No meu palpite, a Gresini continuará com a mesma dupla, mas há boatos que o vice-campeão de 2025 quer correr por uma equipe de fábrica no ano que vem. As opções são KTM e Yamaha. Acho que ele teria mais chances na equipe austríaca, que perderá seu piloto-líder e tem um Binder muito desgastado. Eu aposto no Viñales liderando as KTM até o final deste ano, portanto acredito que ele será promovido à equipe oficial, DESDE QUE exista equipe oficial KTM em 2027.
Essa é uma área nebulosa: a Bajaj já deu declarações que põe em dúvida a permanência da KTM em competições de velocidade no asfalto. Por outro lado, circulam boatos que há duas marcas querendo entrar no MotoGP, sendo uma delas a BMW. O outro mistério é com que marca correrá a VR46. Rossi não gosta da ideia de ter um piloto escolhido pela fábrica, daí eu ter palpitado dois membros da Academia correndo de amarelo em 2027.
Nos meus palpites eu “aposentei” vários pilotos, entre eles Zarco, Miller, Mir e Rins, que deverão encontrar abrigo no World SuperBike. Usei como critério a idade, a falta de resultados, e a falta de disposição para correr em uma equipe satélite. Entre os quatro, acho que o Mir pode se salvar, se topar o rebaixamento. Há bons pilotos na Moto2 em 2026. Citando apenas os que estão na segunda temporada ou mais: David Alonso, Daniel Holgado, Senna Agius, Collin Veijer, Izan Guevara, Celestino Vietti e Barry Baltus. Há quem cite Manuel Gonzalez, Toni Arbolino e Alonso López, mas, na minha opinião, esses três já perderam o timing, assim como o Arón Canet. É muita gente querendo subir, competindo com gente do WSBK, como o Bulega, e poucas vagas, mesmo nas equipes satélites. Subir será a consequência de relacionamento (em 1° lugar) e desempenho. O HRC pode apostar novamente em um talento japonês, já que prevejo a promoção do Moreira. Temo que até o Morbidelli, que botei na Pramac, não tenha espaço, já que 2027 será um ano de tantas mudanças técnicas que possibilitará a promoção de vários Rookies.
Enfim, todas essas negociações precoces vão roubar muita atenção do último campeonato das “mil transformers”. Por mim eu daria fast forward pra 2027 acabando com essas suspensões mágicas que deixam os protótipos menos moto.
Sobre os treinos que aconteceram esta semana e os da semana que vem, não dá para levar a sério. Cada equipe testa muitos componentes e faz o seu “time attack” em momentos diferentes da pista, portanto os tempos não são comparáveis com precisão. Diogo Moreira tem sido muito calmo, aprendendo aos poucos e errando pouco. Os melhores tempos estão abaixo, mas só saberemos mesmo o potencial de cada marca na Practice de 6a-feira à tarde no GP da Tailândia.
Forte abraço


