Motoboys e a buzininha de Moisés

Preciso começar este texto dizendo que a minha carteira de motociclista A3 foi concedida em 1980, portanto pertenço à classe e a defendo como posso. Nesse período todo caí 3 vezes. Nenhuma por minha culpa. Todas porque não estava pilotando defensivamente o suficiente para prever a cagada do motorista vizinho.

Isso posto, voltar a dirigir diariamente no Rio é de tirar a paciência de qualquer santo. O trânsito do Rio é uma mistura de mau-caratismo com inabilidade na condução de motos, carros, ônibus, caminhões, bicicletas e patinetes. Vou começar pelas motos porque hoje quase derrubei um abençoado: foi por um pentelhésimo e me deu um susto ducarái.

Já me aconteceu diversas vezes: estou de carro na pista da direita, com o pisca ligado para avisar que vou entrar à direita. É uma conversão meio complicada, da Av das Américas para a Avenida Tim Lopes, entre dois postes de luz, logo depois da entrada do estacionamento do C.E. Mario Henrique Simonsen, então não dá para vir grudado ao meio-fio. Quando fui entrar me passa um fdp a uns 40Km/h (que é rápido) pela minha direita, seguindo reto pela Av das Américas. Até agora não entendi como não o derrubei.

No mais, é o constante pipipi de idiotas andando em uma velocidade relativa excessivamente alta, contando que o trânsito irá se abrir tal e qual o Mar Vermelho. E ai do motorista que ousar querer trocar de pista, mesmo sinalizando adequadamente, pois se o princeso precisar diminuir a sua velocidade e se adequar à situação de trânsito, o bicho vai pegar! Será o fim do mundo, recheado de palavrões e gestos ameaçadores. Eventualmente um espelho retrovisor quebrado ou uma mossa na porta.

E a agressividade dos motociclistas profissionais não se limita aos carros. Tente andar de moto no corredor com uma velocidade relativa apropriada e você atrairá a fúria dos kamikazes que querem andar a 80Km/h entre os carros parados.

Outro fenômeno que me causa espanto são os passageiros de ubermotos e similares, que de maneira geral andam se escorando em uma mão enquanto olham seus celulares, totalmente desconectados da situação ao seu redor e das cagadas que seu piloto está fazendo. Andar pelas calçadas, na contramão, avançar sinais e pilotar olhando para o aplicativo é o mínimo que vejo todos os dias. Espanto-me que morram tão poucos motociclistas por dias no Rio de Janeiro: apenas 1,4 por dia.

Deve estar cheio de anjos da guarda com burnout…

Pai orgulhoso do João e da Nanda, botafoguense, motociclista e cabalista. 15 anos como CIO e membro do Board de empresas multinacionais, participando no desenho e implantação de processos de logística, marketing, vendas e relacionamento com clientes e canais de vendas, inclusive por dispositivos móveis; Morou anos em Londres, é Fluente em Inglês e Espanhol, com conhecimentos avançados (leitura) e intermediário de Francês e Italiano; Possui cidadanias brasileira e francesa.

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