Cinco vitórias consecutivas, 121 voltas seguidas na liderança (um recorde): Bezzecchi casou-se com a sua Aprilia e estão em lua de mel.
Fim do primeiro round do Campeonato, a equipe Aprilia lidera com mais do dobro de pontos das segundas colocadas (158 x 77 de KTM e Trackhouse). A fábrica está dando de 101 a 69 na Ducati e ainda tem os dois primeiros colocados entre os pilotos: Bez (81) e Martin (77). Acosta tem 60 e Diggia, 50. Marquez está 36 atrás e teria que fazer um fim de semana perfeito com Bez zerando para assumir a ponta.
O italiano poderia estar bem mais tranquilo se não tivesse zerado em duas sprints. Por isso, ainda acho cedo para considerá-lo “simply, the best”. Não há dúvidas de que a Aprilia é a melhor moto na pista aos domingos. Parece-me que eles aprenderam o antigo truque da Ducati: melhorar o equipamento ao longo do fim de semana. A Trackhouse também tem corrido muito bem e a nota triste em Austin foi o problema na moto do Ogura.
A Ducati está passando por um momento de incerteza. Bagnaia e Diggia andam muito rápido com pneus novos, mas perdem muito desempenho ao longo das corridas. Marc anda muito mal de pneus novos e com o tanque cheio, mas vira muito rápido a partir da metade. Aldeguer ainda está muito debilitado, Alex está medíocre e Morbidelli nem apareceu no Texas. Então: o que mexer para a moto andar mais?
Eles terão 4 semanas para se preparar para a corrida e para o teste de Jerez. Ano passado, foi a Aprilia que tirou um coelho da cartola nesse primeiro teste após a largada do campeonato. O segundo round será Jerez, Le Mans e Catalunha: ou Bolonha reage, ou Noale vai disparar.
Marc Marquez foi um dia o Rei do Texas. Este ano começou com um tombo sinistro em uma das curvas mais rápidas do circuito logo no primeiro treino livre. Acho que, a cada tombo que leva, a vontade de se aposentar aumenta consideravelmente. No Q2, posicionou-se muito mal e não conseguiu nem largar na primeira fila, mas o erro grosseiro ocorreu na primeira volta da sprint, que também matou suas chances no domingo. Esse tipo de erro primário é típico de quem está sentindo a perda do controle do campeonato. Não obstante, ele levantou a moto no sábado e fez nove voltas sem a menor chance de pontuar: apenas para se acostumar com ela e experimentar novas formas de se posicionar. Há pilotos que desistem facilmente… Não é o caso dele. O resultado desse esforço foi que ele foi um dos três mais rápidos na pista nas últimas 4 voltas da corrida, tendo sido o mais rápido na última (na qual o Martin alcançava o Bagnaia). A volta longa destruiu suas chances no domingo, quando ele certamente teria terminado no pódio. Mais uma vez ele era um dos três mais rápidos nas últimas voltas.
Enfim, dizem que, quando as coisas vão bem, tudo funciona e fica mais fácil. Já quando as coisas vão mal…
Viñales abandonou a prova de COTA por causa de um parafuso solto no ombro. Subitamente o Bastianini passou a andar bem melhor. La Bestia já venceu em Austin e cada piloto tem seus circuitos favoritos, mas o italiano mostrou serviço quando Brad Binder desapareceu. Acosta está um degrau acima, para tristeza dos austríacos que vão perdê-lo ao final do ano.
Na Honda salvaram-se Marini e o Diogo. O Mir precisa se benzer… três quedas em três corridas. Zarco também não está consistente: tem apenas 3 pontos a mais do que o Moreira, que chegou em mais um 13º.
Quanto às Yamahas, se eu mandasse na fábrica de Iwata repetiria a estratégia seguida pela Ducati em 2006: abandonaria o desenvolvimento da moto de 2026 e me concentraria na moto do ano que vem. Stoner foi campeão em 2007 porque a Ducati estava muito mais desenvolvida do que as japonesas no início do campeonato. Segundo o Quartararo, a Yamaha nem sabe em que mexer para melhorar a moto atual.
A melhor coisa da corrida em Austin foi a consolidação do retorno do Jorge Martin. Tomou novamente a frente no ranking dos vencedores das corridas curtas e comemorou como há muito não se via: tomando um estabaco a 200Km/h. Felizmente não se machucou… de novo!
Assisti às ridículas corridas das baggers, em que o Granado MAIS UMA VEZ conseguiu a façanha de cair liderando. Torcer pra ele é como torcer pro Botafogo: eu já devia estar acostumado, mas arranco os cabelos do mesmo jeito.
No mais, digna de registro foi a última curva da corrida de Moto3. O argentino Perrone liderava. O 2º colocado, Álvaro Carpe, deu uma de kamikaze, jogou o líder pra fora da pista; ele mesmo perdeu velocidade e a corrida foi vencida pelo Guido Pini, com o Quiles em segundo. Carpe foi 3º e não recebeu nenhuma punição. Perrone passou de líder para quarto lugar. Simon Crafar não tem nenhum critério.
Agora nós vamos descansar enquanto o Gigi Dall’Igna trabalha.
Contando os dias para Jerez.
Até lá!



