Primeiras impressões – MV Agusta F4

MV Agusta 1
MV Agusta 1

Este último sábado tive a oportunidade de experimentar a MV Agusta F4, em uma cortesia do felizardo Marcos Calvi, que acabou de comprar uma.

Fomos para a estrada em uma típica formação de ataque italiana, Aprilia, Ducati e MV, ô coisa boa. 3 gerações de motos italianas, 3 designers, 3 motores diferentes.

Histórico e visual

A MV Agusta é uma das marcas mais tradicionais do mundo da motocicleta. Foi fundada em 1945, separando-se da cia. de aviação que até hoje fabrica os helicópteros. Junto com Giácomo Agostini, a marca do Conde Agusta ganhou dezenas de campeonatos mundiais de motociclismo, antes do advento dos motores 2T 500cc. Em 1991 a marca foi comprada pela Cagiva, que ressucitou a marca e encomendou um novo desenho de moto ao gênio Massimo Tamburini, que fundou a Bimota e desenhou o mito que é a Ducati 916 (e a Mitto).

Ele desenhou a F4, que com o seu monobraço, quadro em treliça e as descargas pelo alto, é uma atualização das idéias e conceitos da Ducati 916.

O motor tetracilindrico de concepção supermoderna para a época, teve a fluxometria dos cabeçotes desenvolvida com o auxílio da Ferrari e tem-se provado uma jóia de projeto, recebendo atualizações eletrônicas e mecânicas com facilidade. Era tão moderno no início que é moderno até hoje.

Andando com a moto

Não cheguei a fazer um teste completo, podemos chamar isto de primeiras impressões. A moto, nas cores de fábrica da MV, com seu look de Agostini, é linda e bem acabada. No nível das melhores italianas. Mas, enquanto a mecânica manteve-se atual, o design começa a dar sinais de fadiga. Comparada as japonesas ele ainda se mantém, mas não suporta uma comparação com a Panigale, RC8, na minha opinião. Não que seja ultrapassado, mas não é um caminho de futuro, como foi no seu lançamento, é lógico.

Ao subir na moto senti o assento bem alto, como na Aprilia RSV4, é uma tendência. A moto é pequena, fina, mas não é algo que incomode ou estranho, é uma sensação boa. O assento é alto para subir, mas depois que sobe ele desce um pouco e o tamanho da moto te deixa bem a vontade, ela não intimida.

A caixa de marchas (cassete box) recebe a primeira sem trancos e a maciez dos 4 cilindros bota a moto em movimento na maior tranquilidade. Depois de me familiarizar com o cockpit, espaçoso, achei logo logo uma boa posição na moto. Bem no estilo Tamburini, a moto tem uma aptidão para andar carregada na roda dianteira mas achei este modelo mais neutro do que os outros que andei, com uma atitude mais equilibrada. O banco é ótimo, vc desliza de um lado para o outro com muita facilidade. O freio estúpidamente forte e o motor, surpreendentemente, apresenta torque e potência desde  muito em baixo. Lógico que ele gosta de gritar, urrar, mas  você pode vir de sexta a 60 km/h, com esta gasolina vagabunda que temos e meter a mão, ele sobe limpo. O que é a eletrônica… O som com as descargas originais é lindo mas discreto.

    Não dei pau, não abusei, não brinquei com as regulagens do sistema de controle de tração, não senti o bicho funcionando. Encarei umas curvas bem rápido mas para usar estas coisas tem que abusar mais.

Ela segura as linhas com facilidade impressionante, com uma leveza que me lembrou as R6. Talvez eu estivesse em uma regulagem eletrônica “calma” pois a moto estava realmente calma em todos os sentidos, mas sem se sentir fraca. Apertou ela vai sem hesitar, mas deve ter uma regulagem mais direta e estúpida. A conferir.

De ruim apenas os espelhos retrovisores, curtos, não mostram nada, e a inversão do botão da buzina com os piscas, coisa chata.

Conclusão

Uma moto adorável, linda, sofisticada, potente, capaz, cheia de história, redondinha e relativamente barata por tudo o que oferece.

Não deu para saber se em uso mais intenso, esportivo mesmo, ela mantém estas qualidades. Deve manter, mas quem quer correr na pista tem opções mais adequadas, como a RSV4, a HP4, a Panigale, que vão mais fundo na pegada racing, ao custo de serem menos usáveis aos usuários de estrada.

Depois ando mais e completo o teste.

Abraços,

Mário Barreto

MV Agusta 2
MV Agusta 2

Para a Fauna do Motociclismo