Dicas para grandes viagens – Planejamento

Sta. Cruz do Rio Pardo
Sta. Cruz do Rio Pardo

Planejar a viagem faz com que ela comece mais cedo, você aumenta a curtição. Já vai imaginando, preparando-se para o que vem pela frente.

O planejamento da primeira viagem longa é diferente, é mais misterioso, pois tudo é novidade. Como serão as aduanas? Como serão as estradas? Com será com o idioma? A gasolina deles é boa mesmo? Por mais que você leia e converse, a primeira é mais especial.

O primeiro e mais óbvio planejamento é o destino. Baseado no destino e no tempo disponível é que se calcula o trajeto, o ritmo da viagem.

As opções de ritmo são infinitas, mas o mais razoável é calcular o que chamo de meia diária ou diária completa.

A meia diária é para quem quer andar um máximo de 400 km por dia, pilotando sua moto por meio dia apenas. A diária completa já requer pilotar o dia todo, em jornadas de até 800 km.

Ao meu ver, a escolha depende do destino, das localidades no caminho e do seu tempo disponível. Quando fui para Buenos Aires, fui sozinho e escolhi diárias completas, começando a pilotar as 7hs da manhã e chegando ao destino por volta das 17 horas. Quis chegar logo, curtir e relaxar lá, embora eu tenha dedicado um dia de descanso e exploração em Punta del Este.

Para a viagem de Los Pollos até a Serra Gaúcha, indo por pequenas estradas do interior, tivemos que usar o esquema de meia diária, porque estas pequenas estradas não rendem quilômetros.

Para o Chile, uma viagem já bem maior, voltei ao esquema de diárias completas, senão demoraria demais ir e voltar.

Conversando sobre o assunto algumas pessoas se assustam com o número de horas na moto e a quilometragem, mas não é nada demais. As motos tem que parar de 2 em 2 horas aproximadamente para abastecer. Saindo as 7 horas, antes do meio dia vc já consegue rodar 400 kms, e tem a tarde toda para completar o restante. É uma viagem para andar de moto não é? Então é ótimo. E nas estradas é fácil manter um ritmo elevado, médias de 110 km/h. Para que as pessoas tenham uma idéia mais real, eu dou como exemplo a viagem Rio-SP. A diária completa é ir e voltar do Rio a São Paulo, sem pegar o trânsito, só de estradas mais lisas e com menos transito do que a Dutra. Assim, para mim, fica mais fácil explicar e consigo passar a idéia de que é cansativo, mas não mata ninguém.

Com estes dados na cabeça, a brincadeira passa a ser usar o maps.google.com. Ele é bom demais. Depois converse com as pessoas que já fizeram o trajeto, perguntando sobre quais são os melhores pontos para parar, embora na maioria das vezes eles sejam únicos. As cidades já cresceram nestes pontos, quase certamente por este motivo.

Uma vez escolhidos os locais de parada e o ritmo da viagem, a etapa seguinte, para mim, é a escolha dos hotéis. Aqui o meu pensamento é o de não economizar. É legal mas é cansativo ficar o dia inteiro na moto, então prefiro escolher sempre um bom e caro hotel. Afinal, é apenas 1 noite, a diferença de preço entre o bom e o ruim não é multiplicada pelo número de dias de hospedagem. O bom hotel tem boa segurança para a moto, bom chuveiro, boa comida, boa cama e, hoje em dia cada vez mais importante, boa internet! São detalhes, mas uma vez peguei uma chuva danada, entrou água nas malas e o bom hotel secou minhas roupas, tinha um secador de cabelo poderosíssimo que secou o que não era roupa.

Ao chegar ao destino, quando aí você passará mais dias, o hotel pode ficar caro, mas também, geralmente nos destinos a oferta é maior. Ao escolher os hotéis já faço as reservas e pego endereço e coordenadas para o GPS. Importante também saber qual é a política de reembolso, caso algum atraso aconteça.

Quanto ao plenejamento de combustível a minha regra básica é abastecer assim que chegar nos 200 kms. As motos variam muito de consumo de acordo com a velocidade que vc anda. É mais seguro e eficiente você viajar com motos que consigam andar pelo menos 250 km andando a 140/150 km/h, o que dá a média de 110. Tem muito posto, embora em alguns locais específicos não dê para esperar os 200 kms chegarem. Informe-se sobre o seu trajeto específico e alguns GPS tem mapas com os postos sinalizados. Algumas vezes estes postos no GPS não estão funcionando. Não é assim um stress, mas uma vez fiquei sem gasolina na estrada. O problema foi outro, pois os postos argentinos não estavam aceitando cartão de crédito e eu tive que esticar demais uma perna até uma cidade maior. Mifú.

Eu evito almoçar na estrada. No esquema de meia diária porque não precisa, vc chega cedo no destino e é melhor comer lá. Na diária completa eu apenas lancho no caminho. Por vários motivos, para não perder tempo, para não dar lombeira depois do almoço, para não arriscar comer algo que faça mal, para ficar com vontade de chegar logo e aproveitar o excelente restaurante da noite.

Planejado o roteiro, escolhidos os hotéis e as datas a viagem está na mão, agora é preparar a moto e o piloto para a execução da aventura. Conto mais na sequência.

 

Abraços

Mario Barreto

 

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