Panigale em Laguna Seca

Laguna Seca é um circuito emblemático no centro da Califórnia conhecido pela famosa curva Corkscrew (saca-rolhas). Houve uma rodada do WorldSBK neste último fim-de-semana, mas o quê de mais importante aconteceu para os ducatisti foi o lançamento da Panigale 1299 Final Edition, a derradeira topo-de-linha bicilíndrica em L da Ducati, que já anunciou que lançará uma V4 (ou L4, na verdade) no EICMA.

http://panigale.ducati.com/1299-final-edition/en/

A Panigale foi a única topo-de-linha da Ducati a não ser campeã mundial de super bike: foram 14 campeonatos de pilotos e 17 campeonatos de fabricantes entre 1990 e 2011. O último campeonato obtido pelo Carlos Checa, com uma 1098.

Quais as razões desse “fracasso”? Para mim, falta de sorte e de piloto, além das restrições criadas pela Dorna para dar mais chances às tetracilíndricas. A Panigale estreou com pole no GP de Phillip Island 2013 nas mãos do Checa. Bons augúrios! Infelizmente um tombaço resultante do choque com a traseira da BMW do Mellandri deixou o Checa fora do fim-de-semana e tirou pelo menos meio segundo do espanhol. Outro tombaço no Istambul Park em setembro do mesmo ano fez com que ele abandonasse o campeonato e a carreira. Sykes e a Kawasaki levaram, em briga intensa com a Aprilia.

Em 2014 Guintoli levou pela Aprilia, mesmo com a oposição de seu colega Melandri, e as Kawa ficaram em 2° e 3°: Sykes e Rea, no seu 1° ano pós aquela bicicleta da Honda que ele pilotava. Foi o 1° ano de Davies na Ducati e ele acabou em 6°. Dois anos sem nenhuma vitória… vida dura!

Em 2015 o Rea “casou” de vez com a Kawa e formou um conjunto praticamente imbatível. O fim das restrições de entrada de ar e novos desenvolvimentos permitiram que o Davies fosse vice, com 5 vitórias. Em 2016 vimos praticamente um repeteco, embora Davies tenha sido o maior vencedor (11) contra 9 do Rea. Mais uma vez o nosso segundo piloto foi inútil na tarefa de roubar pontos das Kawasaki.

E chegamos a 2017, praticamente no mesmo cenário, mas agora com o velho Melandri também de Ducati e atrapalhando um pouco as verdes. Só que o Davies já zerou 4 vezes, o que é fatal em uma disputa de apenas 4 pilotos (ou 3,5 porque detesto o Melandri).

Finalmente, Laguna Seca! Claudio Domenicali estava lá, promovendo a última série da Panigale, que será numerada, mas não limitada (diz que será vendida em 2018 e, quiçá, 2019, se houver demanda). Davies fez pole e venceu naquele que é o principal mercado da Ducati. Na segunda corrida, com grid invertido, Melandri saiu na pole e não ficou nem 3 curvas em primeiro. As Kawasakis sairam de 7° e 8° e já estavam disputando a ponta na primeira curva. Davies saiu em 9° e perdeu muito tempo para chegar no Forés, então 3° porque Melandri já tinha errado uma curva e estava em 9°, e mais ainda para ultrapassá-lo. Aí as Kawas já tinham fugido, Rea à frente, e ele terminou em um solitário 3°, seguido de Melandri e Forés. Duas Kawas, três Ducatis: as motos que mandam na categoria.

Ano que vem será a última oportunidade de campeonato da 1199 Panigale. Depois de tanto teclar eu me permito a ousadia de falar uma bobagem: a Ducati teria feito muito melhor tirando o Rea da Kawasaki do que fez ao contratar o Lorenzo no MotoGP. Teria gastado menos, inclusive. Não digo que o Rea iria chegar para ser campeão com a 1199, mas certamente teria enfraquecido muito a Kawasaki: o Davies janta o Sykes comendo com uma mão só.

MotoGP é ducarái, eu sei, mas o campeonato que vende motos mesmo é o World Superbike. Daí o enorme sorriso do Domenicali no sábado, vendo o Davies ganhar com a moto pintada no mesmo esquema de cores que a Final Edition.

Davies homenageando Hayden após vitória no sábado

Em tempo: vale lembrar a bela homenagem que foi feita ao Nicky Hayden, em uma pista na qual venceu em diversas categorias.

Andre Bertrand

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