De frente, no Bambuzal da Serra do Piloto

Triumph Thruxton R

Amigos,

Já começo o ano de testes do Motozoo® em alto, altíssimo estilo. Desta vez a Rio Triumph me disponibilizou uma linda Bonneville Thruxton R vermelha. Papa fina, papa finíssima.

De lado, no Bambuzal da Serra do Piloto
De lado, no Bambuzal da Serra do Piloto

Todos sabem que sou um amante de motos italianas, que durante 4 anos fui o responsável pelo Ducati DOC local (continuo como Presidente do ForzaRio, mas abri mão de ser um DOC oficial). Mas isso não inibe a Rio Triumph de me apoiar da melhor maneira que pode, que é incentivando e fornecendo suas jóias para os testes do Motozoo®. Por este motivo temos aqui no Motozoo® muito mais testes de Triumph’s do que de Ducati’s. Me parece simples e inteligente não é? E sou promíscuo, adoro as italianas, mas tenho casos com inglesas, alemãs, americanas e japonesas!!

Esta Bonne é impressionante, novo motor, peças de qualidade top, uma mistura de peças clássicas e modernas em uma moto estilo Café Racer no qual a Triumph tem a maior autoridade possível para fazer. Talvez a Norton ou BSA pudessem disputar, se estivessem na briga. Café Racer é uma coisa inglesa, os outros fazem cópias…inspiradas nas inglesas. Andar, possuir uma Café Racer Triumph, é estar no topo do mundo nesta categoria. Melhor, impossível.

O Antônio me apresentou a moto, que é simples como toda Café. Simples mas poderosa, motorzão novo refrigerado a água com 98cv’s, suspensões Showa Big Fork na frente e um par de Ohlins atrás. Super freios Brembo Radiais com bomba também radial. 3 modos de pilotagem (Chuva, Estrada e Esporte, que vc pode trocar facilmente andando), Controle de Tração  (que pode ser desligado para fazer burnouts) e ABS, que também pode ser desligado. Tudo em uma moto lindamente construída com muitas peças de alumínio em vários tratamentos. Linda, uma mistura de novo com clássicos, de muito bom gosto. Alguém não curte?

Visão traseira, no Bambuzal da Serra do Piloto
Visão traseira, no Bambuzal da Serra do Piloto

Eu já tinha curtido muito a Street Twin (veja clicando aqui), então a expectativa para a Thruxton R era a maior possível, por ser o modelo top da linha Bonneville. E como foi? Vamos ler.

Logo após a rápida introdução, peguei a Avenida das Américas e fui em linha reta para casa. Imediatamente percebi que a moto é fina, firme de suspensões e com a frente plantada de um jeito diferente. Ela é durinha sem ser teimosa, mas passa uma sensação de que uma vez colocada em uma trajetória, não vai largar ela com facilidade. O jogo de guidão é menor do que a Street Twin e o som das descargas menos gostosinho também do que o da Street. Neste primeiro contato senti o freio super forte e o motor bem disposto. Moto boa de usar na cidade.

Domingo amanheceu um tempo ótimo e pude colocar em prática o plano completo, ir com ela até a Bocaina, por Bananal e Rio Claro, um trajeto de 350 kms com muitas curvas, estradas, perfeito para uma avaliação completa. Com a ajuda dos meu amigos Beto e Guilherme Escalhão, chegamos lá sem errar uma única curva. Achei o lugar lindo. A SP-247 está um primor, vou voltar lá.

Descobri que o modo Road não é o mais legal de usar na moto. Em Sport ela ganha outra vida, o som do motor se modifica para melhor, ela fica bem mais rapidinha. Ela nunca vai arrancar como uma Diavel, não tem gás para isso, mas anda o suficiente para andar junto com quase qualquer outra moto. O motor parece ter o flywheel aliviado e gosta de ganhar giros, que sobem sem qualquer hesitação até o corte. A posição de pilotagem é surpreendentemente confortável pois o guidão, apesar de ser preso “nas canelas”, é alto para uma Café Racer. Ele tem estilo, mas pensaram no conforto. A embreagem de cabo é levinha e as marchas entram em um clique preciso, mas achei o curso do pedal longo. Fosse mais curtinho seria perfeito. Do freio não há o que falar. Forte, potente, preciso.

A moto está calçada com Pirelli’s Super Corsa e é aquilo…novos e depois que vc os esquenta, são um chiclete. Um pneu com grip e transições fáceis. As motos ficam leves e precisas com eles. Porém, molhou o chão e você está em apuros. Para mim, e para muitos que conheço, Pirelli’s não podem ver água, ou ficarem velhos. Peguei chuva e escorreguei, é claro. Eles não funcionam bem nestas condições.

Voltando ao motor, ele é forte, vibra muito pouco, liso e com personalidade, muito bom, desde que esteja no modo Sport. No modo Rain, que usei “à Bessa” também, o motor fica bem mais fraco, com uma vibração típica de Twin e um som que lembra o da Street Twin. Gostei para a condição a que este modo se propõe, andar na chuva. Já o Road eu não curti… ele vibra também mas não apresenta nada de muito útil. A Thruxton R foi feita para usar no modo Sport!!!

Peguei um trecho em obras no saibro, e aproveitei para testar o controle de tração, TC. Botei a moto retinha e mandei a mão no saibro. Nota 10 para o TC, ele cortou a potência e não deixou a moto patinar. E fez isso de maneira discreta, muito bom. Já o ABS entrou quando quase atropelei um dos 1000 quebra molas. Eu detesto sentir o ABS funcionando… sei que é bom, sei que salva vidas, mas detesto sentir ele na mão, me assusta.

Showa Big Fork
Showa Big Fork

As suspensões são bem firmes, como eu disse acima. A moto agarra as trajetórias com firmeza. Já disse isso antes, o pessoal de regulagem de suspensões da Triumph é muito bom, todas as Triumph que provei até hoje são excelentes em suas regulagens default. Não toquei nas regulagens, que são ótimas para um piso lisinho. Em buracos ou em paralelepípedos, é bom confiar em suas obturações dentárias, pois a moto bate durinha, não dá mole ao piloto. Ela não afunda nada e não faz questão de copiar buracos, ela deixa bater. O bom disso é que ela é alta, bem mais alta do que a Street Twin, e passou rindo pelos 1.000 quebra molas que encontrei pelo caminho. No asfalto lisinho, pode pendurar e confiar no TC, ela levanta das curvas no torque no motor de forma deliciosa. E fácil. É uma moto fácil de tocar, não dá sustos. Tocando realmente rápido o formato do tanque, baixo e fino, dá um certo trabalho para o apoio do corpo nos pêndulos. Estou treinado para me apoiar nos tancões das motos esporte ou bigtrail, de modo que fiquei meio sem saber onde colocar as pernas e o antebraço. Depois me acertei mais ou menos, fiz umas curvas boas, mas precisaria de mais treino e intimidade para “casar” com ela nas curvas em uma posição mais compacta.

Os espelhos na ponta do guidão são ótimos. Não vibram, são fáceis de regular e dão ótima visão. Mas são fáceis de bater nos carros… a moto fica larga com eles, temos que nos acostumar.

Espelhos de Café Racer
Espelhos de Café Racer

A viagem foi boa, mesmo não sendo a melhor opção para uma moto de viagem, cheguei inteiro.

A Thruxton R vai ficando cada vez mais bonita com a chegada da noite. O seu farol tem uma luz de led bonita e o painel é elegante aceso. De dia ele tem uma característica ruim que é a de refletir intensamente o sol em seus cromados e polidos. Dependendo da hora do dia, o reflexo é forte. Outra coisa digna de nota é o tanque completamente liso, sem o Triumph escrito nele, uma ousadia (Oops, isso não é verdade. A moto do teste estava sem eles, mas ela tem sim um Triumph colado no tanque). Os detalhes de acabamento da moto são todos muito legais, como a tampa do tanque, a presilha do tanque, as descargas em cone… são muitos.

Acho que a noite, os barzinhos, são o seu habitat natural. Clássica, rápida, sólida, bem construída, elegante, simples, poderosa, eficiente. A Thruxton R tem muitas qualidades e bem poucos defeitos. Na verdade, só falei mal do painel, que é de difícil leitura para mim e que reflete luz do sol. Ah! E do curso das marchas. Comparada com a Street Twin ela naturalmente esquenta mais, pois é muito mais potente. Não canso de falar que potência=calor.  Na cidade, apenas na cidade e em baixas velocidades, a Street Twin de certa forma funciona melhor, pois esquenta menos, o motor tem um som lindo e trabalha em baixos giros com mais vocação. Mas não tem a beleza, as peças boas e lindas da Thruxton R e na abertura do acelerador, não anda nem perto dela. Das Bonneville’s a Thruxton R seria a minha escolha, mesmo tendo gostado da Street Twin. Nenhuma moto tem vida fácil hoje em dia!!

Obrigado Rio Triumph por mais esta tetéia, adorei. Vejam abaixo uma pequena galeria de fotos.

Mário Barreto

 

2 ideias sobre “Triumph Thruxton R”

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