Jerez 2018, com dancinha e tudo o mais.

Que beleza de corrida. O MotoGP faz de tudo para se manter atraente, e consegue. Mesmo com o Marc ganhando muito, nunca se sabe exatamente o que vai acontecer nas corridas. E isso nos deixa colados na tela, para ver o que vai acontecer. Quem pode dizer o que vai acontecer antes de cada largada?

Que o Marc vai ganhar é uma aposta boa, que uma moto de fábrica vai ganhar é quase certo, que o Cal Crutchlow vai se estabacar é quase certo também. Mas que o Lorenzo vai dificultar as ultrapassagens é 100% certo. Lorenzo é um cara difícil de ultrapassar porque com uma moto boa é rápido, segura bem as linhas internas, erra pouco e seu estilo fluido de frear não dá boa pista para quem vem de trás esperando ele frear para frear depois. Não é tão fácil descobrir onde o Lorenzo está freando. Depois de meses sem ver o Lorenzo andando, é bom vê-lo de novo na pista, sem botar perninha, sem rebolar a moto, agarradinho na moto e nas boas linhas.

Também acho que o Lorenzo já devia estar ganhando corridas na Ducati, ele é muito mais piloto do que o Dovi e se o Dovi já ganhou uma penca, o natural é que Lorenzo também já tivesse algumas.  Tá devendo mas isso nunca foi nem é motivo para ele sair da frente na primeira beliscada do companheiro. Classificou melhor do que o Dovi, liderou a prova, estava em segundo lugar e andando forte, disputando renovação de contrato ou mudança de equipe, não iria sair da frente nunquinha. Ainda mais em Jerez, que ele conhece como poucos.

Marc tinha velocidade para passar, passou, sumiu e Lorenzo nada pode fazer. Dovi parecia estar mais rápido, devia estar, mas não o suficiente para fazer o que o Marc fez, dar um golpe certeiro e indefensável. Após comboiar por umas poucas voltas Dovi se tocou que para passar teria que inventar, arriscar, tentar coisas diferentes. Tentou e não deu certo, abriu a trajetória e a partir daí tudo aconteceu de acordo com o normal. E o que é normal? A falta de sorte de Dovi e Pedrosa. As motos não tem retrovisor, Lorenzo voltou pegou a linha de dentro e fechou em cima do Pedrosa. Se tocaram e se fu..oops, se danaram todos num boliche sensacional. Pedrosa voou alto, não pesa nada, a gravidade pega leve com ele. Lance de corrida onde todos perderam um pentelho de tempo pensando. Dovi pensou se dava para voltar ou se ia sair da pista. Lorenzo perdeu tempo vendo o que Dovi faria até decidir voltar. E Pedrosa a mesma coisa, demorou um tiquinho ao sentir o pensamento do Lorenzo e não mergulhou de vez. Coisa de milésimos, mas o suficiente para botar os 3 no chão. Que cagada.

Mesmo Marc, que estava bem e com uma moto boa, podia ter caído quando um pouco antes passou nas pedrinhas e deu uma rabeada que consertou no “Estilo Marc Marquez” como ele mesmo chamou no Parc Fermé. Marc Marquez está impossível, fez um corridasso.

Não se enganem, estes pilotos fazem parecer fácil mas virar aqueles tempos ali é coisa de gente muito especial. Marc Marquez para abrir na frente tem que andar em um ritmo alucinante. Todos os 4 primeiros podiam ter caído e de fato caíram 3, hehehe.

Voltando ao começo da prova vimos uma primeira fila improvável ser solapada por uma excelente largada da Duca do Lorenzo.  Marc estava infernal e veio passando todo mundo de novo. As Yamahas oficiais estão perdidinhas da silva, com Zarco andando fácil melhor do que elas. Na verdade Zarco está andando mais do que as Yamahas e a KTM fez muito bem em contratar ele. As Suzukis melhoraram muito, mas o MotoGP no momento é um assunto de Honda contra Ducati. Como no SBK que é um assunto de Kawasaki contra Ducati. Também digno de nota foi ver Mika Kalio andar com a moto protótipo 2019 mais do que os regulares Pol e Smith nas KTMs. E mais não prestei atenção.

Marc Marques comemorou levando a bandeirada dançando o backpack kid dance, feliz da vida. A vida anda leve no box do HRC. Em que pese a competição difícil e perigosa, eles sabem que tem piloto, moto, dinheiro, experiência. Tem tudo para ganhar mais corridas e o campeonato.

A Ducati tem uma combinação boa, mas falta resolver a questão dos contratos dos pilotos e ter uma moto mais redonda, que perca menos tempo de setup, mais consistente em um número maior de pistas.

Já a Yamaha em teoria tem que gramar em mais campos. Rossi diz que é a eletrônica, mas vemos que a M1 2018 não tem motor nem conjunto no momento, e está começando a levar pau de Suzuki com constância.

E dá uma inveja danada ver as pistas européias lotadas de motos, todas arrumadinhas… Tomara que em breve tenhamos de volta um GP e vou cuidar para que ele fique arrumadinho assim.

Mário Barreto